publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 24 Julho , 2009, 08:59

É em absoluto admissível que os métodos de docência antigos usados na Escola Primária seriam hoje totalmente desadequados, até pela emergência da ambiência de cidadania que nas últimas décadas tem emergido, por assumpção ética e normativa, na vivência social.

Mas, como diz o povo, “nem tanto ao mar nem tanto à terra”. E se antes havia um excesso de desprotecção dos direitos dos alunos hoje há um excesso de desprotecção da autoridade do professor. E em período em que a socialização da criança adquire importância primordial, através da Escola, este afã proteccionista que a envolve cria-lhe uma interiorização excessiva de direitos e uma quase ausência do sentido de deveres para com os outros e a sociedade.

 

Ainda hoje falei, aqui em Vila Cova, com um grupo de senhoras idosas dos seus tempos de escola primária. Falaram-me de alguma dureza de seus professores, dos processos punitivos que usavam. Mas, recordam-nos com muito carinho, respeito e saudade.

-Quando aquela régua funcionava, esta miudagem de hoje nem imagina as cargas que levávamos… mas eram precisas… a gente merecia-as… - dizem-me 

Ficam-se a fitar o passado e a rever bocados das suas infâncias vividos na velha Escola de S. Sebastião.

-No andar de cima eram as raparigas, e quem nos ensinava era a Sª Dª Lúcia de Freitas Trindade. No andar de baixo estavam os rapazes ensinados pelo marido, o Sr. Professor António Nunes de Oliveira e Costa.

 

Querem saber qual a razão do meu interesse, das minhas perguntas. É para a Internet, para o Miradouro, digo-lhes. Ah!, faz bem -acrescentam. Merecem bem ser recordados. A rua da Escola tem o nome dos dois. Devemos-lhes muito.

 

É isso mesmo. A nossa intensão é mesmo essa: Recordá-los. E aqui fica, também, a nossa homenagem.

 

Nuno Espinal

(Um agradecimento à Drª Dalila Pina pela foto que enviou de seus avós)

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 23 Julho , 2009, 08:06

Silvino Lopes (filho) e esposa

 

 

Une-os o parentesco na linha directa e comungam, o que não é vulgar, o mesmo nome. São os “Silvino Lopes”, avô, filho e neto.

Silvino Lopes (avô), já falecido, foi de todos o que mais viveu Vila Cova. Os mais velhos têm dele vastas recordações e realçam-lhe o seu dinamismo na participação e entrega a acções em prol de Vila Cova.

Silvino Lopes (filho), menos presente, tem, contudo, mantido uma ligação afectiva a Vila Cova e visita-nos de quando em quando, tal com aconteceu ainda há poucos dias, em que se fez acompanhar da esposa.

Já Silvino Lopes (neto), que surge numa das fotos, registada em Anseriz, com os pais, parece querer seguir o rasto do avô e tem nos últimos anos passado períodos prolongados na nossa zona, com visitas permanentes a Vila Cova. Adquiriu recentemente casa nas nossas cercanias.

É dele que vamos publicar mais um poema, confirmando o seu estro poético, que de resto parece ter herdado de seu pai, este com já dois livros editados.      

      

 

 

 

Passeio pelas fotos que bati

Há tanto tempo... e agora estão aqui

Pulando, palpitando. Tão presentes

Algumas. Mostram flores, mostram sementes

Plantadas com ternura; com a paixão

De quem semeia a vida e o coração.

 

Afasto a imensa nostalgia

E guardo o momento, a alegria

Das emoções, dos cheiros, dos ruídos,

Dos rostos do passado, diluídos

Nas sombras que criámos, ao escondê-los

Com o medo que temos em perdê-los.

 

Silvino Lopes (neto)

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 22 Julho , 2009, 10:37

Nos dias de hoje, só esporadicamente poderá ter alguma função. Como a que teve, por exemplo, há poucos meses, com o último capítulo da confraria do bucho. Nesse dia engalanou-se e recebeu gente, muita gente. Mas, aparte esse acontecimento, permanece de portas fechadas, em estado letárgico, entregue a um abandono pungente, longe dos tempos áureos em que dava cumprimento, quotidianamente, a deveres próprios da sua funcionalidade religiosa.

Uma Acta de outrora dá-nos conta de quão diferentes terão sido os dias que então se viviam na velha Igreja (Capela na Acta) da Misericórdia.

 

“Aos 29 dias do mês de Dezembro de mil oitocentos e cinquenta e seis, na casa de Despacho da Misericórdia desta Vila Cova de Sub-Avô, se reuniram os membros da Mesa que rege este Estabelecimento /…/ Depois ponderou o Provedor Presidente /…/ que esta Mesa fizesse a nomeação do Capelão e Solicitador para o ano de 1857 e logo os Membros deliberaram que continuassem a servir os mesmos dos anos antecedentes e com o mesmo ordenado; mas que se algum deles se declarasse pelos anos adiante inimigo deste Estabelecimento /…/ seria despedido do seu ofício. /…/ Depois propôs o Provedor que era muito conveniente que a Missa que se costuma dizer nesta Capela se dissesse a uma hora certa e que ele votava pelas oito horas da manhã e ponderando um pouco na matéria os Membros da Mesa deliberaram que nos meses de Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro começasse a Missa às oito horas da manhã e nos meses que vêm a ser Maio, Junho, Julho e Agosto começasse às sete da manhã.”

 

Nuno Espinal

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 00:44

Mais uma sessão temática dirigida aos utentes do Centro de Dia. Desta vez falou-se da Rainha Santa Isabel. E sobre a Padroeira de Coimbra foram lidos dois curtos contos, da autoria da escritora Maria Espinal, (minha tia) extraídos do seu livro “Lendas e Milagres da Rainha Santa”.

Os contos (“Eram Rosas” e “Mãe e Filha”) foram lidos pela Drª Palmira Barreiras, que antes abordou alguns apontamentos históricos centrados na figura desta Rainha, esposa de D. Dinis.

O Conventos de Santa Clara-A-Velha e o Mosteiro de Santa Clara-A-Nova, localizados na cidade do Mondego, (no último está o túmulo da Rainha), foram motivo de referência especial.

Estas sessões, que mais que culturais são essencialmente de entretenimento, têm sido bastante apreciadas pelos idosos do Centro de Dia. Dado o seu êxito é pertinente que a Mesa Administrativa invista em material áudio visual, que melhorará por certo a qualidade destas sessões.     

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 20 Julho , 2009, 18:44

Fez hoje 81 anos de idade a Dª Albertina Fonseca, nossa utente do Centro de Dia. E a efeméride justificou em absoluto a simpática festa que a rodeou, com o tradicional apagão das velas, a tradicional cantoria dos “Parabéns” e, ainda, a tradicional gulodice do bolo de aniversário.

 

Nós, Miradouro, também marcámos presença na Festa e fizemos votos de que este tão simples mas sincero ritual se repita por muitos e muitos anos e que a Dª Albertina conte, nesta sua justa festa, sempre com a melhor das saúdes.

 

 

Foto: Manuela Antunes

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 20 Julho , 2009, 00:02


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 19 Julho , 2009, 18:55

Um leque de ofertas variado para estas noites de fins de semana na região. Venda do Porco, Coja e também Vila Cova. Na nossa casa do Povo houve teatro. O grupo “O Bosque” de Arganil levou à cena a peça “Sapataria Feliz”. Um curto enredo desenvolvido de um texto escolar. Emergem personagens da nossa história e contemporaneidade mediática, com os seus temperamentos e maneirismos. A rudeza de Afonso Henriques, a sensibilidade de Pessoa (com os heterónimos Alberto Caeiro e Ricardo Reis), o “basismo” de Eusébio e a futilidade de Lili Caneças. Um texto apontado, na essência, para jovens estudantes, mas que não deixa de cativar públicos de outros estatutos e interesses.

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 19 Julho , 2009, 07:14

Em Coja também houve noite de fado. Mas fado de Coimbra. A Praça cheia e público em adesão total. Homenageava-se Victor Nunes, em iniciativa da Junta de Freguesia local. Vieram “tunos” de Coimbra, ouviram-se fados tradicionais.

Jovens é que nem vê-los. O que não é preocupante. Também passei pelo mesmo. Depois virá o amadurecimento e a qualidade hão-de esmerar os gostos. Afinal a “experiência é a madre de todas as coisas”.

 

Nuno Espinal (texto) e Andreia Tavares (fotos)

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 18 Julho , 2009, 20:33

Sinceramente duvidei. É que esta região não tem tradição de Fado. Em especial do fado de Lisboa. O fado de Coimbra, esse sim, ainda há quem o aprecie. Mas, o de Lisboa?...

E de resto nem tem que ter. De facto, o fado de Lisboa é uma manifestação urbana, não lhe atribuo âmbito nacional. Contém, sim, componentes que configuram muito da idiossincrasia de um qualquer português típico. Daí que, um pouco por todo o país, haja amantes do fado de Lisboa. Mas é fundamentalmente em Lisboa, como será óbvio, que, sendo ele mais vivenciado e o seu lugar de excelência, terá o grosso dos amantes.

Por isso, repito, duvidei. Conheço o ambiente, a entrega dos que de fado gostam. Mas aqui, nesta região?

Afinal enganei-me. Os que foram são amantes de fado de Lisboa e sabem senti-lo. E de Vila Cova também os lá havia.

 

Fados que aconteceram no Restaurante “O Cantinho da Saudade”, na Venda do Porco. Cantinho da saudade! Que nome! Nem de propósito.

 

Foi noite de fadistice sentida e vivida. Entretanto, entre os intérpretes, um nome a destacar: Joana Mendes. Que raça e sentimento!

 

Fica a sugestão de uma noite em Vila Cova. Noite de fado, claro. A ver vamos…

 

 

Nuno Espinal

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 17 Julho , 2009, 10:31

Sabes? Este é um dos meus fascínios de Vila Cova.

Estes pores de sol que me maravilham deslumbrados de uma minha janela…

São olhares perdidos no Espaço e no Tempo.

E no Tempo são fugazes, é certo…

Mas ali me quedo, absorto, em momento de clique, metafísico.

 

E quanto me envolvo no poema e no poeta!

Nuno Espinal


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