publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 16 Julho , 2009, 09:39

Do Padre José Nunes de Oliveira pouco se sabe. Viveu no sec. XIX  e a sua morte é anterior a 1900, devendo ter ocorrido cerca de 1890. Sabe-se ainda que tendo exercido o sacerdócio em Vila Cova durante vários anos, acumulou, com a sua missão de padre, a função de professor e tal facto valeu-lhe o tratamento de Padre Mestre. A sua casa (conforme foto cerca de 1900) situada no Adro, tinha a particularidade de ter a varanda em arcos (virada para S. Sebastião) e manteve durante muitos anos a arquitectura original, mesmo quando dividida em duas partes, que tiveram como proprietárias respectivamente a Srª Dª Gracinda Pinto e a Srª Dª Marquinhas Gomes (ambas minhas tias). 

Há um episódio curioso na vida do Reverendo José Nunes de Oliveira ligado à minha família, que não me dispenso de relatar:

O meu bisavô, José Nunes Fernandes, casado com a Morgada da Cerdeira, Maria Augusta Quaresma Figueiredo, era professor, exercendo o seu magistério em Lourosa, já no último quartel do séc. XIX. Tendo residência e família na Cerdeira, só aos fins-de-semana delas usufruía, fazendo para tal uma considerável caminhada a cavalo.

Ora, o Reverendo José Nunes de Oliveira, que também era professor, mas em Vila Cova (na (altura Vila Cova de Sub-Avô), vivia no seu casarão do Adro, entregue à solidão, especialmente nas noites de Inverno e com a perspectiva de todo o rasto do seu próprio nome se vir a perder por não ter descendentes.

Bem sabedor da situação do meu bisavô, um dia o nosso Reverendo tê-lo-á abordado com a proposta de que a casa que possuía no Adro pudesse vir a ser ocupada por toda a família de meu bisavô (na altura já com vários filhos) desde que todos os filhos varões que posteriormente viessem a nascer fossem registados com o seu apelido, ou seja o apelido Nunes de Oliveira. Fazia parte ainda do trato que todos os bens do eclesiástico fossem constituídos em testamento a favor de meu bisavô. Meu bisavô, sem delongas, terá aceitado a proposta, pelo que se transferiu, com a família, de “armas e bagagens” para a casa do Adro, com a vantagem acrescida de, ao aumento patrimonial, ficar muito mais próximo do local de exercício de suas funções docentes.

Foi assim que os filhos nascidos na nova casa do Adro (Joaquim, meu avô e Manuel) vieram a ter no nome o apelido de Nunes de Oliveira.

 

Entretanto, já os filhos nascidos do meu avô Joaquim  (Adelaide, minha mãe e António) e de meu tio-avô Manuel  (Judite) foram registados, por imposição da lei, com o apelido Fernandes.  Dura lex sed lex.

Cabe-me, então, aproveitando esta oportunidade, o dever de perpetuar, com a projecção possível, o nome e imagem do Reverendo. Faço-o sem nada em troca lucrar.

Mas já agora Reverendo, se lá do Altíssimo puder rezar uns Padre-Nossos e umas Avé-Marias com que me possa abençoar digo-lhe, com toda a emoção, que muito lhe agradeço…

 

Nuno Espinal

Família do Professor José Nunes Fernandes.

Meu avô é o último da direita e meu tio-avô Manuel está de vestes brancas

 

 


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