publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 01 Julho , 2009, 03:53

Em plena vivência na sociedade global, a percepção que temos da temporalidade constitui, na actualidade e em quase todo o universo, um factor de homogeneidade e de indiferenciação, ao contrário de tempos recuados, marcados pela dicotomia entre, por um lado, o tempo rígido, especializado e compartimentado das sociedades urbanas, tecnológicas e industriais e, por outro, o tempo difuso e menos especializado das sociedades tradicionais, especialmente agrícolas.

Esta menor precisão da marcação do tempo e no caso em descrição, do tempo horário, é radicalmente patente numa notícia que retirámos de uma Comarca de Arganil de Junho de 1932, em que um total desacerto é noticiado pelos vários correspondentes de quatro localidades, a propósito da passagem de um aeroplano:

Oliveira do Hospital, 24 – Ontem, pelas 14 horas e 40 minutos, passou à vista desta vila um aeroplano, que voava a grande altura e seguia em direcção ao sul. O espectáculo, por ser raro, impressionou a gente destas terras.

Avô, 24 – Às 15 horas e 50 minutos de ontem passou sobre Avô, com a direcção norte-sul, um aeroplano, que causou admiração pela pouca altura a que voava.

Dreia (Benfeita), 24 – Cerca das 14 horas de ontem passou sobre esta povoação um aeroplano. Levava o rumo sul.

Cavaleiros de Baixo (Fajão), 24 – Ontem, pelas 14 horas e quarenta minutos, passou sobre nós um aeroplano com rumo norte-sul. É a terceira vez que por aqui passam aves tão gigantescas.

Importa referir que em 1932 as horas eram marcadas, quase sempre, pelos relógios dos campanários, relógios mecânicos que se baseavam, frequentemente, na hora do Sol e que não tinham, bem longe disso, a qualidade tecnológica dos actuais e, ao contrário dos relógios de hoje,  não se referenciavam no “Tempo Universal Coordenado (Coordinated Universal Time ou UTC), que é baseado em padrões atómicos e que nos é dado a conhecer, com precisão muito rigorosa, pelos meios de comunicação áudio visuais.

As horas, no conjunto de notícias da Comarca, chegam, pela sua discrepância, a ser hilariantes, chegando ao cúmulo de a hora de passagem do aeroplano na Dreia ser marcada antes (1 hora e dez minutos de diferença) da hora de passagem espacialmente anterior em Avô.

 

Nuno Espinal



 


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