publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 18 Abril , 2009, 00:32

Há alguns anos desloquei-me a Vila Cova com o meu irmão no começo de Primavera, para tratar de assuntos familiares. Nessa altura ainda o meu irmão tinha a casa em obras e, por isso, fomos pernoitar em casa de uma prima nossa, no Calvário, lá bem em cima. De qualquer parte do Calvário se desfruta de magnífica paisagem sobre Vila Cova que, pródiga em colorida vegetação, nos proporciona múltiplos encantamentos para os sentidos. Dali se pode avistar a parte ocidental da aldeia onde pontua, bem visível, a Igreja Matriz e a sua orgulhosa torre. No lado oposto, simbolizando tempos mais recuados carregados de história e acontecimentos, a Igreja do Convento, de cuja torre os sinos nos transmitiam sensações de doce e saudosa melancolia. Tudo isto absorvia intensamente já que, por motivo do meu afastamento físico de Vila Cova, por razões de vária ordem, sentia o retornar de gratas memórias que toda aquela envolvência provocava.

Dormi, nessa noite, com já há muito tempo o não fazia. Um daqueles sonos que dão para se acordar como se fossemos a mais feliz das pessoas ao cimo do planeta.

Pela manhã, após aquela bem temperada noite, abro a janela do quarto e o deslumbramento é total. O Sol beijava a mata do Convento, emprestando-lhe tons doirados, matizando o verde das copas daquelas árvores centenárias de um colorido inebriante, subjugando de imediato os sentidos. Da terra afloravam-nos odores ímpares, que a frescura que a noite deixara, fazia ressaltar. A janela, aberta de par em par, servia de porta a um espectáculo de cor e aromas silvestres que entorpeciam o corpo, numa extraordinária dança de imperdíveis sensações que o chilrear alegre dos pássaros completava. Absorvia intensamente toda aquela frescura da Natureza como se tivesse receio que depressa se extinguisse todo esse êxtase. Retive o mais que pude nos meus olhos o espectáculo que me era dado observar. Os pulmões cadenciavam uma respiração prolongada numa tentativa de purificação do corpo e da alma. Sensações a que a lembrança dos nossos pais e avós mais acentuava. É esta a Vila Cova que sempre recordarei, onde a “malta” das férias grandes ocupa um lugar de eleição.

E, para além das brincadeiras que no dia 2 iremos recordar, estará sempre presente a magia dessa aldeia que a Mãe Natureza privilegiou. Evoco aqui o nosso Grande Fernando Pessoa, que tão bem ilustrou a sensação que um sino de aldeia desperta…

Oh Sino da minha aldeia

Dolente na tarde calma

Cada tua badalada

Soa fundo na minh’alma

 

Até breve amigos.

Quim Espiñal

 


comentários recentes
O meu profundo sentir á minha querida amida Sra D....
os azulejos lhe davam valor e beleza. muito perdeu
Pode publicar. Achamos importante que o faça. Obri...
É uma informação muito importante.Espero que não s...
O texto relaciona.se, de facto, com minha tia e ma...
Sim, de facto Maria Espiñal, minha tia, era escrit...
Minha Mãe sempre me disse que a madrinha dela era ...
Uma foto lindíssima.
Olá :)Estão as duas muito bonitas.Ainda bem que a ...
PARABÉNS à nossa FILARMÓNICA!
Abril 2009
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9

14

23



pesquisar neste blog
 
subscrever feeds