publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 10 Abril , 2009, 00:24

Coja: A Ponte Velha

 

Por Quim Espinal

Com o aproximar da data do encontro da “malta”, já no dia 2 de Maio, surgem-nos na lembrança, em catadupa, episódios e situações que marcaram o nosso dia a dia das férias grandes em Vila Cova do Alva.

As distracções esgotavam-se em múltiplas jornadas de puro lazer e divertimento, em que a solidariedade era ponto de honra. O lema era “Um por todos e todos por um”. Simplificando, onde um fosse, os outros também iam. Na época os festejos populares das várias aldeias em volta de Vila Cova eram sempre uma cobiça. O Verão era pródigo em acontecimentos dessa índole e, só a dificuldade dos transportes, era obstáculo a que se não desse uma saltada até lá. Era de qualquer modo uma barreira difícil de ultrapassar, já que carros não abundavam e as “carreiras” eram escassas. Se fosse perto, Barril, Avô ou Vinhó, lá se arriscava uma ida a pé, já que o regresso também era breve. Se fosse mais longe, ficava-se pela vontade,  pois o retorno já implicava um sacrifício maior. Magicávamos nós nestas condicionantes perante a vontade de ir a Coja para a Festa quando, vindo não sei de onde nem como (falha-me a lembrança), aparece um rapaz de cor, muito apinocado e bem falante que, estando de passagem por Vila Cova em boleia, se aprestou a regressar uma hora ou duas depois, no seu Mercedes de bancos em couro e jantes assim e assado, dizia ele, prontificando-se a levar-nos a Coja. Nem que, para o efeito, tivesse de fazer as viagens necessárias. Oh maravilha das maravilhas! Irmos à festa de Coja num Mercedes com bancos de couro e jantes assim e assado…Que grande amigo nos tinha ali aparecido. A noite prometia ser de arromba. E no entusiasmo da oferta, lá fomos, cada um para suas casas, jantar apressadamente e vestir as roupinhas de ir à missa. Coja esperava por nós. À hora combinada, lá estávamos nós à espera do nosso amigo Fortunato (creio que era esse o seu nome) que nos apareceria no seu reluzente Mercedes.

A espera, ao princípio compreensível, tornou-se longa e penosa. Os minutos tornaram-se horas e, do “nosso” amigo Fortunato, nem novas nem demandas. O Mercedes tornara-se uma miragem. A festa dera lugar à frustração. E, depois de engolirmos em seco esta partida, não nos ficou outro remédio senão o de enfiarmos o barrete até às orelhas. Costuma-se dizer que “quando a esmola é grande o pobre desconfia”. Pois bem, não houve esmola e também não houve festa.

 


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