publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 23 Novembro , 2008, 19:36

 

As noites amenizavam as tardes de canícula e eram chamativas a momentos a céu descoberto, na procura do reconforto da fresquidão e de alguma cavaqueira naquele grupo de vizinhos.
Era assim, mal Junho rompia, depois Julho por inteiro, até meio de Agosto, ou ainda, por vezes, mas já raro, um ou outro dia em Setembro. Eram anos da minha meninice, já passaram mais de cinquenta!...
Sentados na tábua incrustada na parede fronteira da velha casa de xisto da Ti Júlia e do Ti Abílio, e num ou outro mocho para a circunstância ali colocados, lá estavam, a acrescer aos anfitriões, o meu avô Quinzinho e a minha avó Olímpia, o Tio Manel Antunes e a Tia Conceição, o Tio Zé Fidalgo e a Tia Eugénia, a Prima Isaíra (era por prima que eu a tratava) e a Dª Lúcia (professora).
Todos septuagenários, gente de valores, de princípios, de virtudes.
Conversavam de correntezas, do que vinha na “Comarca”, no “Amigo do Povo”, do que um ou outro tinha ouvido no noticiário da Emissora…
Mas era a Natureza e as suas principais referências que dominavam, invariavelmente, estes avisados tagarelares. A chuva que já teimava em não aparecer…a lua cheia que prenunciava, por tão limpa, a continuidade da seca…uma trovoada que podia surgir para dar cabo do pouco que ainda se aproveitava…
 
Quis o acaso, um dia, que em final de tarde estivesse na companhia da ti Júlia. Fazia “renda”, ia comigo conversando. Desenhou-se, entretanto, um pôr de sol magnífico. Tons avermelhados na barra, chilreios da passarada, uma toada serena e doce.
Ia já o sol já no final do seu mergulho, a tia Júlia parou de rendar, quedou-se contemplativa e absorta do espectáculo…
Foi um momento sublime. Então pegou-me a mão e diz-me: “Oh menino, não é mesmo uma pena a gente morrer?”
 
 
Nuno Espinal 
 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 22 Novembro , 2008, 21:00

 

O Vilacovense tem na agenda, para amanhã, um dos jogos mais difíceis do campeonato, não só pelo valor do adversário mas, fundamentalmente, pela rivalidade que o opõe ao Lourosa, criada ao longo dos anos pela proximidade geográfica dos dois contendores.
É habitual que os jogos que opõem Vilacovense e Lourosa serem presenciados por muitos adeptos, não só locais como forasteiros, quer os jogos se disputem em casa de um ou do outro.
O jogo que os “corvachos” disputam amanhã em Lourosa não vai ser fácil, tanto mais que o Lourosa dispõe de uma boa equipa, séria candidata ao título da série. Contudo, o Vilacovense, pelos valores individuais de que dispõe e pelo colectivo que se lhe reconhece e que tem dado excelentes provas de eficácia, pode, sem surpresa, ganhar o jogo. Assim a partida lhe corra de feição e a arbitragem não seja igual à de St. António de Alva.
Todos a Lourosa.
 
Nuno Espinal/Fábio Leitão

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 21 Novembro , 2008, 00:19

Ainda sou do tempo em que o “tempo”, em Vila Cova, não era exclusivamente marcado pelo relógio. O dia de trabalho iniciava-se com o toque das “Ave Marias”, logo que o Sol nascia e terminava com o mesmo toque quando o mesmo Sol se punha. Fossem as horas que fossem. Claro, relógio havia, relógio de dividir o “tempo”. E então que em Vila Cova, públicos, eram logo dois, um na torre da Matriz, outro na do Convento, a fazerem-se soar em audíveis badaladas. Mas, sem lhes negar a intenção, eram mais adorno que função temporal. Depois, quantas vezes desfasados entre si no acerto das horas e muito mais desfasados do indefectível “Big Ben” londrino. Mas, não era grave, pouco importante até, a comunidade, rural na sua essência, deles pouco se recorria. Mas não os dispensava, isso nunca. Só aquela sonoridade, purinha, aquela acústica, badalo a percutir em cheio o bronze daqueles potentes sinos…
 
Hoje já não é assim. O relógio, certinho quase ao segundo, marca o ritmo das vidas, a comunidade organiza-se a em função do tempo do relógio. Depois, os sons já não são os mesmos. De acústicos passaram a eléctricos, emitidos por potentes auto-falantes. Mas continuam a vir de sinos. E vêm da torre da Matriz. E eu, confesso, continuo a gostar. São mágicas aquelas badaladas que esvoaçam, esvoaçam…e nas asas da imaginação levam-me às memórias, ao passado…
 
E lá vai o Luís “Tareso”, passo apressado, tocar as “Ave-Marias”…   
 
 
Nuno Espinal   

publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 20 Novembro , 2008, 01:54

O documento que generosamente me foi dado pelo Eng. Alexandre Cruz, referente a uma “resalva definitiva” do serviço militar de um meu tio-avô, Abílio Nunes de Figueiredo, tem a curiosidade da sua antiguidade (1906) e de algumas particularidades que se revelam curiosas e definidoras da época. Uma delas será até um pouco chocante quando, nas referências a características anatómicas desse meu tio, lhe classifica a cor de pele (branca) como …natural! Enfim, tempos…
Este meu tio, que é referido no documento como estudante e com a idade de 20 anos, morreu muito novo e até nem tempo teve de concluir o seu curso de Direito.
Surge na foto de família (e que foi publicada por nós em 11 de Abril de 2007) como o primeiro do lado esquerdo, sendo esta foto das mais antigas até hoje editadas pelo Miradouro. Retrata a família nuclear de António Nunes d’Oliveira, (meu bisavô) que foi professor em Lourosa, e residiu, a partir de cerca de 1880 em Vila Cova, vindo da Cerdeira. Dos 12 filhos que teve de Maria Augusta Quaresma de Figueiredo, a Morgada da Cerdeira, três nasceram, para além do meu tio Abílio,  já em Vila Cova. Os três estão nesta fotografia e são, era assim que os chamavam, o Quinzinho (o 1º à direita, meu avô), a Gracindinha , ao colo da mãe e o Manelinho , de branco, frente ao pai.
A família Figueiredo d'Oliveira chegou a ser bem numerosa em Vila Cova e marcou, em determinada época, algum peso no quotidiano da terra. Os tempos e as suas circunstâncias esbateram o peso presencial desta família, não havendo um único, dos seus descendentes, que hoje resida a tempo permanente em Vila Cova.
Mas, esta realidade não é, afinal, marca exclusiva desta família. O permanente êxodo de naturais de Vila Cova, mais sentido ainda nas últimas décadas, para paragens bem mais apelativas por oferta de melhores condições de vida, tem reduzido substancialmente a população de Vila Cova e minguado e, até, feito desaparecer famílias antes significativas e numerosas em Vila Cova. Afinal, um sinal, de algum modo deprimente, dos tempos que vivemos.
 
 
Nuno Espinal
 
 

publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 19 Novembro , 2008, 00:06

 

Será no dia 6 de Dezembro, no Salão da Casa de Povo, o almoço de confraternização organizado pela Santa Casa de Misericórdia de Vila Cova e que pretende ser um convívio entre vilacovenses e instituições da freguesia, sendo entre estas de destacar a Flor do Alva e o Rancho “As Flores”, que sempre corresponderam aos convites que receberam por parte  dos dirigentes da Irmandade. 
O almoço estará aberto a todos os vilacovenses pelo preço de inscrição de 7 Euros. 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 19 Novembro , 2008, 00:00

Dita a circunstância que surjam juntos nas fotos, como aniversariantes, como surgem juntos na vida, por serem marido e mulher.

Juntos nas fotos, como aniversariantes, porque poucas são as horas que os separam nos dias de aniversários. Ele, o Arsénio Maques Costa, fez ontem, dia 17, 73 anos. Ela, a Maria do Céu Lourenço fez hoje, dia 18, 63 anos de idade. Parabéns aos dois.

 

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 17 Novembro , 2008, 23:53

 

- Jogo disputado no campo do Santo António de Alva numa tarde cheio de sol, com um grande número de adeptos acompanhar o Vilacovense.
 
Equipa inicial:
Paulo (guarda-redes), Kikas, Brito, Cruz, Fábio, (defesas), Filipe, Hugo, Marco Paulo, Wilson (médios), Mota e Marquito (atacantes)
Suplentes: Fábio, David, Hugo Gouveia, Nando, Antunes e Bruno Santos
Treinador/Jogador: Madeira
Desta vez o Vilacovense empatou o jogo… mas com sabor a derrota, em virtude das imensas oportunidades criadas e falhadas de forma incrível… autênticos milagres para a equipa adversária que sempre jogou para o empate.
Isso tornou-se mais evidente quando no final do jogo os jogadores do St. António de Alva festejaram euforicamente o empate no seu terreno, como se de uma vitoria se tratasse.
Não hà memória na história do Vilacovense que uma equipa lutasse tão arduamente pela vitória e com imensas oportunidades de baliza aberta para fazer o golo e não ganhasse!
Mas a sorte foi muito adversa a este rico grupo de jogadores.
Mas, como se diz, é futebol!
 
- 1.ª Parte
- Futebol jogado com muita vivacidade, com lances rápidos de ambas as equipas, com maior predominância de ataque e as melhores oportunidades da equipa visitante.
- A primeira parte equilibrada,
 
- 2.ª Parte
Começou com uma substituição na equipa do Vilacovense, tendo entrado Hugo Gouveia e saído Mota.
E foi no segundo período que o domínio da equipa de Vila Cova de Alva foi total, a lutar constantemente pela vitória, mas a sorte não esteve com os jogadores e num lance fortuito de contra ataque até podiam perder o jogo.
Algumas das oportunidades ficarão na memória dos jogadores…como foi possível saírem com o resultado em branco?
Mas, força rapazes… a equipa tem futuro!!!
- Arbitragem polémica a prejudicar o Vilacovense, com dois golos justos e limpos mas invalidados pelo juiz de linha, que por erro grave assinalou injustamente foras de jogo. Há também tardes “não” para os fiscais de linha, esta foi uma delas (honra se faça, por reconhecerem os erros no final do jogo, pois também têm o direito de errar).
 
José Nobre
 
Guarda Redes adversário permanentemente em acção
 
 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 16 Novembro , 2008, 23:50

 

Dois pontos perdidos ou um ponto ganho? O futuro há-de dar a resposta, ainda que a pergunta perderia todo o sentido se o resultado do jogo espelhasse o que se passou em campo. E a verdade do jogo só se projectaria no resultado se o Vilacovense tivesse ganho. Seja como for o Vilacovense, sem ter ganho hoje, não deixou contudo, como visitante, de pontuar. E o primeiro lugar continua a ser solidamente nosso.
 
(Crónica do jogo mais tarde)

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 16 Novembro , 2008, 21:45

Fotos: Hugo Lopes

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 16 Novembro , 2008, 20:26

Acabámos de receber a notícia do falecimento, nos HUC, em Coimbra, onde tinha sido internada há alguns dias, de Dª Alice Glória dos Santos, de 86 de idade, natural de Vila Cova.

O funeral realiza-se amanhã, às 16 horas para o cemitério de Vila Cova.

Apresentamos os nossos pêsames à família.

 


comentários recentes
O meu profundo sentir á minha querida amida Sra D....
os azulejos lhe davam valor e beleza. muito perdeu
Pode publicar. Achamos importante que o faça. Obri...
É uma informação muito importante.Espero que não s...
O texto relaciona.se, de facto, com minha tia e ma...
Sim, de facto Maria Espiñal, minha tia, era escrit...
Minha Mãe sempre me disse que a madrinha dela era ...
Uma foto lindíssima.
Olá :)Estão as duas muito bonitas.Ainda bem que a ...
PARABÉNS à nossa FILARMÓNICA!
Novembro 2008
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9

18

25



pesquisar neste blog
 
subscrever feeds