publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 11 Novembro , 2008, 23:56

A Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vila Cova de Alva, Margarida Teresa Gonçalves Abranches Figueiredo, convoca os associados da Instituição para uma Assembleia Geral a realizar no dia 15 de Novembro, pelas 14 horas, no Edifício do centro de Dia, com a seguinte Ordem de Tabalhos:

 

1- Apreciação e votação do Orçamento e Programa de Acção para o ano 2009;

 

2-Informações


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 11 Novembro , 2008, 23:55

 

No próximo Domingo, dia 16 Novembro, a partir das 15.00 horas, no Largo 1.º de Maio (largo das festas de verão), não falte ao Magusto de Casal de S. João.
(Se estiver de chuva será na Associação de Moradores)
 
 
Notícia: António Tavares

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 11 Novembro , 2008, 19:04

“Quentes e Boas…”
 
 
Das estações do ano, o Outono é a que mais me atrai.
Quando estudante, as férias grandes eram mesmo grandes. Os meses de Setembro e primeiros dias de Outubro eram os meus preferidos para usufruir de um descanso merecido em Vila Cova.
A natureza ia-se cobrindo de um manto doirado/avermelhado; o pôr-do-sol era deslumbrante na sua cor-de-fogo; os dias amenos convidavam ao lazer; os altivos ailantos ladeavam a estrada Côja-Vila Cova-Avô num festival de cor; os castanheiros carregavam-se de ouriços por onde espreitava uma ou outra castanha.
Pela manhã, eu costumava ir até ao cabo do muro sentava-me num banco de pedra mesmo ao cimo do caminho que levava á Fonte dos Passarinhos (então romanticamente rústica), debaixo de um frondoso castanheiro. Os ouriços faziam-me negaças com as castanhas a quererem libertar-se do seu cativeiro. Eram as primeiras da época, por isso as mais apetecidas. Não ficava muito tempo sem me deliciar com elas.
Geralmente um grupo de miúdos brincava por ali.
Ao principio tímidos, foram-se habituando pouco a pouco á minha presença. Eu sempre gostei de “tirar palha”, com as crianças.
Em breve nos tornámos amigos. Partilhavam comigo as castanhas que elas extraiam dos ouriços com os calcanhares descalços.
-“Não façam isso, vocês picam-se, magoam-se!” – qual quê! Riram-se. – “Já estamos calejados, quer ver? Não doem!”. E continuavam na risota.
Eu sentia-me também criança, numa cumplicidade de partilha e de alegria de viver.
Vila Cova sempre foi uma terra de soutos.
Quando eu e os meus primos torcíamos o nariz a qualquer prato de comida menos agradável, logo a minha tia Adelaide ripostava: -“ Noutros tempos, caldo de castanhas e arroz de castanhas eram um manjar para nós! Conduto? Qual conduto? Castanhas já eram um petisco!
Vocês agora são uns fidalgos! Só guloseimas…”
Tinha razão a minha tia. Como diz a canção “A vida é feita de pequenos nadas.”
Assim o foi percebendo Jacinto, personagem principal do romance “A cidade e as serras”, de Eça de Queirós de que eu não resisto a transcrever um excerto:
 
“… uma formidável moça, de enormes peitos que lhe tremiam dentro das ramagens do lenço cruzado, ainda suada e esbraseada do calor da lareira, entrou esmagando o soalho, com uma terrina a fumegar.
Jacinto, desconfiado, provou o caldo que era de galinha e rescendia. Tornou a sorver.
Uma colherada mais cheia, mais considerada.
E sorriu com espanto: - Está bom!
Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia.
Foi ele que rapou avaramente a sopeira. E já espreitava a porta, esperando a portadora dos pitéus que pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. Que desconsolo!
Jacinto, em Paris, sempre abominara favas! Tentou todavia uma garfada tímida e de novo os seus olhos luziram. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado: -Óptimo!... Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delicia! Deste arroz com fava nem em Paris, Melchior amigo! É divino!...”
 
Sim, divino para Jacinto, homem da cidade, desconhecedor do que o campo tem de genuíno, de simples mas que regala o corpo e a alma.
Não me venham com a moderna cozinha de fusão.
O que há de melhor do que um magusto – as castanhinhas assadas no borralho das lareiras acompanhadas de jeropiga ou de água-pé?
Ainda hoje me é difícil escapar á tentação de “atacar” um cartuxo de castanhas quando oiço o pregão “quentes e boas” e de as ir comendo pela rua fora.
Em Lisboa, têm para mim um sabor especial nos fins de tarde outonais, cobertas de neblina e do fumo das castanhas assadas na rua.
São imagens que se gravam na infância e perduram para todo o sempre. Nada se apaga.
O dia de S. Martinho aproxima-se.
É a época dos magustos.
“No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho”.
Bom proveito a todos.
 
Tela a óleo de Nazaré Pereira
 

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