publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 13 Setembro , 2008, 09:59

 

As historietas que se contam, de pequenas e grandes coisas, da vida passada e presente deste nosso pequeno burgo são preenchidas, muitas das vezes, por relatos que têm como protagonistas gente que ajuizamos como castiços.
É diferente, claro, esta gente, na conduta e no trato, libertinos, por vezes, propensos ao estapafúrdio, algo excêntricos, a saltar, impunes, padrões de comportamento, aqueles que estão nos papéis sociais a que nos obrigamos.
Os castiços são, no genérico mundano, salpicos que coloram o cinzentismo do dia a dia, beliscos ao trivial, risadas, quase sempre.
Vila Cova teve-os e tê-los-á, como outro qualquer lugar deste mundo. Recordem-se a Janota, a Eugénia de Avô, o Luís Corneta, por exemplo. Gente à parte, bizarra, párias do amontoado que povoamos.
“Luís Tareso” era diferente. Castiço sim, mas diferente. Do mundo dos nossos, dos ditos incluídos, rigoroso nos cumprimentos das tarefas, das obrigações e deveres, obcecado às regras. Uma particularidade ditou-lhe a fama: foi sacristão, quase toda a vida. Nas rezas em latim e em quaisquer rituais litúrgicos era um ás. E nos toques do sino não havia quem se lhe comparasse. As badaladas, as das “Ave-Marias, o tlintar das missas de Domingo e a triste toada de cerimónias fúnebres…
 
Franzino, muito franzino, era por vezes assaltado de humores que o electrizavam. Passo miúdo, muito, muito apressado, por todos, nestas alturas, passava indiferente. E que nada lhe dissessem…
Só que um dia não resisti: Eh senhor Luís, o amigo parece um furacão!
E lá veio a resposta, que amiúde, nestes momentos de humores dava, com ar ríspido e carrancudo: Quem está, está, quem vai, vai!
Esta frase ficou célebre e é bem uma frase dos anais de Vila Cova.
  
Por tudo, obrigado “Ti Luís Tareso”. Esta é uma homenagem que lhe quero prestar. Vejo-o na foto, numa procissão, ladeado de crianças a comungarem uma inocência que sempre lhe reconheci. Mas, na foto há uma diferença. Elas, as crianças, sorriem e olham para o mundo E você, amigo Luís, vergado ao peso da vida, lá caminha lado a lado, mas absorto, entregue a um mundo que mais do que dos outros era o seu. O seu próprio mundo...
 
Nuno Espinal
  
  

 


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