publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 25 Julho , 2008, 01:12

Era um dia de verão igual a muitos outros, em pico de agosto, a canícula já se prolongava. O chafariz de s. sebastião a abarrotar de mulheres e cântaros, um coro de algazarra e lamúria, um fio de água debelado, quase findo. Eram horas, várias horas, a apanhar a vez para um cântaro saciar. Por vezes a fonte secava. E foi o que aconteceu nesse dia.
Em momentos assim os lamentos carpidos, previsões dramáticas, a desgraça afiançada sem reverso.
 
Recordo-me bem, teria uns oito, nove anos. Aquele ambiente tão apocalíptico a assustar-me. “Já nem pr’a beber há água…”, “vamos todos morrer à sede…”, ouvia-se. Crescia-me o medo.
 
Providencialmente surge o meu avô, o Quinzinho como era tratado. “Anda rapaz, vamos. Estás a ver…só percebemos o valor da água depois que a fonte seca”. “Mas tudo se acaba por resolver…”
 
Era a tranquilidade reavida e de imediato lá estava eu a entregar-me aos habituais folguedos em redor da casa de meus avós.
 
Hoje o chafariz está longe da função daqueles tempos. Mas ganhou serenidade, talvez maior beleza e até espiritualidade. Que o diga a imagem. A sombra do velho plátano, o som fresco da bica, rendilhados que se tecem e conversas simples de coisas simples da vida.
 
 
Nuno Espinal      
 

 


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