publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 06 Julho , 2008, 23:46

 

São pêssegos do meu quintal. Amo-os! Dedico-lhes o tempo da rega, mimo-os, dia a dia, com o olhar. Mesmo quando ainda o não são. Depois vem Junho, Julho e eis que me retribuem com a dádiva da vida. Sinto, então, que lhes devo mais, ainda mais. Mas, parcos são, em engenho e arte, recursos próprios. Então socorro-me de bem alheio: um Poema. Poema do brasileiro Luís Carlos Guimarães. Um Poema que afinal também é meu, é de todos.
 
Nuno Espinal
       
O Pêssego
 
Por si só, como fruto,
não sugere seu sabor.
Para mim que desfruto
de sua forma, sua cor,
e com mão aliciante
sinto a polpa veludosa,
não penso no gosto diante
da penugem de tons rosa.
De repente, perplexo,
vejo um ventre de mulher:
sua vulva, o morno sexo
que está a se oferecer.
O pêlo da pele beijo,
mordo a carne sumarenta,
se me acende um desejo
que não se dessedenta.
A fome da minha língua
agora está saciada,
a do desejo não mingua,
tem que ser adiada.
 
LUÍS CARLOS GUIMARÃES
 

 


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