publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 19 Abril , 2008, 03:07
Em 12 de Janeiro de 1928 era publicado um edital, em cumprimento de um decreto algo ambientalista, que dizia o seguinte:
 
Eu, António Ferreira Vilas, engenheiro-chefe da 2ª Circunscrição Industrial,
 
Faço saber que Albino Abranches Freire de Figueiredo pretende licença para estabelecer um forno de cozer no lugar e freguesia de Vila Cova d’Alva, concelho de Arganil, distrito de Coimbra.
E como o referido estabelecimento se acha compreendido na tabela I anexa ao regulamento das industrias insalubres, incómodas, perigosas ou tóxicas, aprovado pelo Decreto 8.364, de 25 de Agosto de 1922, sendo m estabelecimento de 3ª classe com os inconvenientes – fumo e perigo de incêndio – são, por isso e em conformidade com as disposições do mesmo decreto, convidadas todas as pessoas interessadas a apresentar, por escrito, na 2ª Circunscrição Industrial, com sede em Coimbra (edifico do Governo Civil) as suas reclamações contra a concessão da licença requerida, no prazo de trinta dias, contados da data de publicação deste edital, podendo na mesma repartição ser examinados os desenhos e mais documentos juntos ao processo nº 3566.
/…/.  
 
O edital, que foi ainda publicado na Comarca d Arganil de 27 de Janeiro, não terá provocado contestação, já que o funcionamento do forno foi autorizado, passando, então, a servir a população em geral. A sua localização era na rua que sai da Praça em direcção à estrada no local da Fonte de Santa Teresa.
O pagamento pela utilização do forno era feito em “género”, ou seja, por cada broa cozinhada era devida uma segunda broa ao proprietário do forno, que era Casa do Convento.
A Casa do Convento, por sua vez, utilizava as broas recebidas para pagamento de serviços prestados em trabalhos agrícolas nas suas terras.
De resto, o pagamento em géneros (vinho, azeite, por exemplo, completado com dinheiro) de serviços na agricultura era corrente nesta época e ainda nos anos sessenta era praticado.
Quanto ao forno, face a novas tecnologias que foram emergindo e que conduziram ao fabrico do pão de trigo a preços acessíveis, perdeu funcionalidade e acabou por se
extinguir a sua própria utilização. Do forno do edital nada mais resta hoje que o local em que funcionou (foto em cima), na rua que vai da Praça à Estrada no local da Fonte de Santa Teresa.
Não muito longe deste funcionou um outro forno, (foto em baixo) na rua que o Povo tem baptizado como Rua do Forno. Ainda hoje existe, ainda que raramente seja utilizado. É propriedade de um particular e desejável seria que a sua existência fosse preservada.
É nossa intenção proximamente apresentar um apontamento, com fotografias deste último forno, sobre fases do fabrico do pão.
 
 
Nuno Espinal
 

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