publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 22 Março , 2008, 01:51

 

 

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto
 
Fernando Pessoa
 
 
 
 
Perto da minha casa erigiram, há poucos anos, uma Igreja – a de Stª Joana, a Princesa, o que me permite ouvir o tanger dos sinos.
Não sei porque sortilégio o som de bronze desperta em mim sensações estranhas que eu não sei bem definir, mas que se transformam quase sempre em paz interior.
Nas aldeias eles são ainda uma espécie de “média” – estão intimamente ligados à vida rural. Repicam alegremente anunciando baptizados, casamentos, festas religiosas, missas, procissões e dolorosamente finados.
Quando havia fogos (aqui refiro-me ao passado), tocavam desesperadamente a rebate avisando a população de que era urgente acorrer a apagá-los.
Segundo algumas crenças, o seu som continuado tinha até o poder de produzir um fenómeno atmosférico desencadeador de chuva.
Não falarei dos concertos dos carrilhões de Mafra. Simplesmente esmagador! Refiro-me especialmente aos de Vila Cova que tanto me acompanharam nas minhas férias. Impressionava-me sobretudo o toque das Ave-Marias anunciadoras de recolhimento, de repouso, de oração.
Era o “Luís Sacristão” que se encarregava de dar voz aos sinos da Igreja. Durante anos e anos fê-lo com devoção e amor, até partir. De vez em quando lá deixava a pequenada agarrar-se e puxar a corda do sino – dlim, dlão,dlim, dlão… e torna a subir e torna descer, numa brincadeira a que era difícil pôr fim.
Quem tange agora os sinos da minha terra?
Também a tecnologia aí chegou, substituindo a mão do Homem.
Será esta sociedade desumanizada mais feliz?
Feliz Páscoa para “todos os Homens de Boa Vontade”.
 
Nazaré Pereira  
 
Um abraço amigo para o Quim Espinal e os agradecimentos pelas amáveis palavras com que se referiu aos meus “Apontamentos”.
    

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