publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 01 Fevereiro , 2008, 23:50

 

Recordo-me bem do Sr. José Carvalho. Homem valente, afirmativo, franco no trato, amigo do seu amigo.
A estrada, Vide Coimbra e Coimbra Vide, viu-o passar milhões de vezes, ele, como cobrador da velha carreira de “partidas e regressos” de “saudades e festejos”. 
Só ao Sábado, já noite avançada, é que vinha a casa, à sua Vila Cova, repousar-se na merecida folga que, em cada Domingo, o esperava. Mas, mesmo com o corpo a pedir tréguas, quantas vezes, já noite avançada, não mergulhava, ele e redes, nas águas lavadas do velho Alva. E quanta a expectativa em que o peixe abundasse. O bom “peixe do rio” no tempo em que o Alva, em peixe, de pródigo se gabava.
Era um homem de trabalho. Mas, como nem só de pão vive o homem, o tempo até ia sobrando para, por exemplo, … uma boas partidas. Tudo tinha o seu tempo, o tempo certo, claro. E, então, sendo Carnaval…
 
No Carnaval, anos 50, 60, tinham fama os bailes no Posto de Socorros.
O “Concerto”, com tocadores esmerados, lá criava o ambiente e era ver o pessoal feliz e saltitante com as marchas, valsas e modinhas da época. Que noites de folia…
 
Claro, o Sr. Zé Carvalho bem lhes sabia da reinação. Todas as noites, ele e camioneta, ali passavam e o pessoal , como que a "manguitá-lo", em festança e forrobodó. "Ai é…deixem lá que já vos digo".  A partir daí foi só arquitectar o plano. E assim foi. Depois, tudo combinado, motorista e até passageiros em cumplicidade. 
De Coimbra vinha o pó pimenta, adquirido em bazar próprio. E pronto. Depois era só agir. O baile no seu auge…  pausa breve no percurso da carreira, ali mesmo ao chafariz, e o Sr. Zé, numa corrida, abeirava-se de um postigo do salão onde a farra imperava, uma sopradela e… ah! pó de um catrino, cumpre lá a tua missão…minutos depois toda a minha gente aos espirros.
Isto, três ou quatro dias e o episódio a repetir-se. Estava lançado o “mistério dos espirros”.
 
Ainda hoje há quem relate a cena que se seguiu. O Sr. José Carvalho, no Domingo posterior, a ouvir os comentários, a consolar-se de gozo, as interpretações do mistério e ele próprio a adiantar o seu juízo: isso é obra do diabo, acreditem... é mesmo obra do diabo…
 
Ah tempos, ah saudades…
 
 
Texto: Nuno Espinal  
Tela do pintor Kiki Lima           
 

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