publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 05 Janeiro , 2008, 23:14
Quem ontem passasse junto ao estabelecimento do Sr. Albano Lourenço repararia, se a atenção a isso chamasse, que a habitual grade que está fixa bem perto do portão de entrada da Quinta do Convento continha, nada mais, nada menos, que 7 bilhas de gás completamente cheiinhas, conforme invólucro amarelo para o atestar. Mas hoje de manhã, para surpresa do proprietário, a grade estava cheia, sim, mas de um total vazio. Ou seja, das 7 bilhas nem uma para cheiro. Apenas ao lado da grade 4 bilhas, as que já lá estavam, mas estas vazias.
 
Manobra de mágica? Claro que não. Apenas manobra mas de larápio. Chamada a GNR tomou conta, como é normal nestes casos, da ocorrência.
 
Entretanto, para já quanto a suspeitas apenas, que saibamos, uma. A de que o Sr. Albano Lourenço dificilmente se verá ressarcido de um prejuízo de cerca de 240 Euros.
 
Que bons eram os tempos em que as portas das casas de Vila Cova apenas eram fechadas por simples trincos e estes a acautelar as investidas inocentes de meros cachorros ou de rabanadas de vento...
 
 
 
 
Nuno Espinal

publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 05 Janeiro , 2008, 20:54

Por Nazaré Pereira (Drª Zita)
 
 
Conta a lenda que existem 7 irmãs que, dos lugares sagrados onde se encontram, se vêm umas às outras: as Senhoras das Preces, do Colcorinho, da Natividade, das Necessidades, do Mont’Alto, a Stª Eufémia e que me perdoe a que não consigo recordar, não por desconsideração mas porque a memória me vai atraiçoando.
 A ermida da Senhora do Colcorinho destacava-se das outras por aparecer simples mas altaneira, envolta num manto branco, puríssimo, a ombrear com a alva neve da serra da estrela, sua companheira.
Era para mim uma espécie de farol que me guiava e protegia quando ia passar as férias a Vila Cova.
Ao avistá-la, sentia-me já em casa.
Mas a partir de certo momento, deixei de avistar o”ponto branco” que sempre me norteara.
Achei estranho. Qualquer coisa se passava. Resolvi investigar. Pus-me a caminho na esperança de encontrar o que guardara na memória quando, na juventude, visitara o Santuário.
Durante o caminho bem procurava o “ponto branco” que, teimosamente, não aparecia.
Quando cheguei ao templo nem queria acreditar!
A minha branca, pura, singela ermidinha fora substituída por uma construção negra, triste, incaracterística, forrada a azulejos (vejam só!) de um péssimo gosto.
Os meus olhos nublados de lágrimas não puderam ver mas adivinhavam que a Senhora também chorava – a sua solidão acentuava-se, deixara de ser avistada pelas suas irmãs.
Não fora a paisagem envolvente esmagadoramente rude, agreste, bela que me rodeava, decerto não teria quase tocado o Divino.
Ela impõe-se, remete-nos ao silêncio, à concentração, à consciência da nossa pequenês.
As mãos de Deus passaram de certeza por ali. É esta certeza de que a Mãe Natureza é superior aos Homens que não soçobramos quando vemos as nossas tradições, os nossos valores, aquilo que faz a identidade de um Povo serem engolidos pela febre do consumismo, pelo laxismo, pelo macaquear outros de gosto duvidoso.
O meu amigo Dr. Nuno Espinal referiu-se, num seu apontamento no “Miradouro”, ao desaparecimento da velha tradição de “madeiro de Natal” na bela Praça de Vila Cova. Li, nas entrelinhas, desgosto, nostalgia. Somos então dois e, tenho a certeza, muitos mais se juntam a nós.
Como cantava o poeta Vinicius de Morais “tristeza não tem fim, felicidade sim”.
 
Foto: Silvino Lopes

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