publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 22 Dezembro , 2007, 23:22

Sempre lhe chamaram a “casa do Sr. Loureiro”. Mas, sobre o Sr. Loureiro, confesso, não ter ideia de alguma vez o ter visto. De resto, habituei-me a ver a casa, um grande casarão, ali bem na Praça, quase sempre vazia. Quase, porque no Verão, nos meus tempos de jovem, somente a via habitada por poucos dias, muito poucos, uma quinzena talvez por ano, sempre em Setembro. Era um trio de ocupantes e só dele me recordo: O Dr. Júlio, a Mariazinha e a Luisinha, tal como eram conhecidas.
 
Passaram os anos, mais de quarenta. Há poucos meses tive oportunidade de rever a Luísa,( Luísa Jordão) de visita a Vila Cova, com a intenção de vender o casarão. Fomentamos, agora, uma amizade que antes, naqueles anos da mocidade, nunca tivemos oportunidade de criar. A Luísa mostrou-me a casa, mais de uma vintena de divisões que os muitos anos de abandono se afirmam com sinais de algum estrago.
Despertou-me curiosidade, até pela surpresa, um espaço ao nível do rés do chão, do lado direito de quem na casa entra. Um longo balcão, típico de estabelecimento comercial, e várias prateleiras, para exposição de artigos.
Claro que há razão para tal aparato. É que nos inícios do século passado funcionou ali de facto um estabelecimento comercial. Começou como sendo a firma “José Luiz”, nome do seu proprietário. Com a morte deste a firma passou a denominar-se “Viúva de José Luiz” para a partir de Fevereiro de 1921 passar a ser “José Luís, Sucessores”. Uma nota que recolhemos de uma “Comarca de Arganil” daquele período refere:
 
“MARIA AUGUSTA MENDES, de Vila Cova de Sub-Avô, concelho de Arganil, vem tornar público que o seu estabelecimento que girava sob a firma “Viúva de José Luiz”, passa d’óra avante a firma “José Luiz, Sucessores” continuando a explorar o mesmo ramo de negócio de fazendas, mercearia, papelaria, pregaria, ferragens e muitos outros artigos.
 
É então que surge em cena o Sr. António Loureiro. Vindo de Santa Ovaia, casaria com Isabel Mendes, filha do casal José Luiz e Maria Augusta Mendes. Foi ele que protagonizou a alteração da casa, alteando-a e dando-lhe a traça actual. Devido às obras, o estabelecimento chegou a estar encerrado, tendo então reaberto com algum alarido, conforme atesta uma notícia que pudemos respigar de uma Comarca de Arganil de Dezembro de 1924:
 
Alegrai-vos Vilacovenses. Pois o nosso amigo Sr. António Loureiro vai mui breve abrir um estabelecimento no seu prédio da Praça e lá poderão adquirir tudo o que necessitamos aos menores preços de mercado.”
O estabelecimento teve vida alguns anos mais, não muitos, talvez até 1934, ano em que se presume que o Sr. Loureiro partiu com a esposa e bagagens para Coimbra, onde iniciou uma carreira de bancário no Banco Espírito Santo. Do casal nasceu uma filha, Maria José Luísa Loureiro, (a Mariazinha) que veio a casar com o vilacovense, Dr. Júlio Gouveia, que se distinguiu como médico e cirurgião na Figueira da Foz. Foram estes que adoptaram como filha Luísa Jordão, (na foto com as três filhas) que veio a ser a herdeira dos bens da família, tornando-se assim a proprietária actual da “casa do Sr. Loureiro” na Praça.
 
A casa, a ”casa do Sr. Loureiro” está à venda. O tamanho e alguma degradação impedem a actual proprietária de a poder manter e até gerir. Mas, aconteça o que lhe acontecer há algo que lhe será sempre inalienável: a sua história. Essa a Vila Cova pertence.
 
 
 
 
 
Nuno Espinal

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O meu profundo sentir á minha querida amida Sra D....
os azulejos lhe davam valor e beleza. muito perdeu
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