publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 05 Outubro , 2007, 02:07

 

Desta vez foi de vez. O Vasco Ferreira fechou mesmo o Café. E fê-lo em definitivo, com a respectiva baixa nos serviços competentes. Fecha-se, assim, um ciclo. Ou melhor, o ciclo já há algum tempo se tinha fechado, agora foi apenas o acto formal.
 
“O espaço permanece” – diz-nos. “Em nada o vou alterar. Mas fica apenas como um refúgio, um refúgio para as minhas leituras, para conversar com os amigos…e talvez, quem sabe, recordar tempos…tempos de uma outra Vila Cova.” Ri-se, mas sem esconder alguma amargura.
 
Pois é! Recordar tempos de uma outra Vila Cova…Por exemplo, do começo do Café.
 
Corriam os inícios dos anos sessenta. Beber um copo, (ou mais) em Vila Cova, praticamente só de vinho, nas três ou quatro tabernas que existiam. Claro, era redutor, ou mesmo nulo, para os que nas férias vinham de Lisboa, com outros hábitos, em especial o da tradicional bica.
 
Um dia, no local onde o Vasco vertia uns copos de três, houve quem o instigasse, com uma mera cafeteira aquecida a lume, a servir uns cafés. O meu tio António Fernandes foi dos incitadores. O sabor lá agradou e criaram-se, desde aí clientes fiéis. A improvisada cafetaria ganhou fama. E no ano seguinte já o Vasco, entusiasmado com o êxito, investia no espaço e dava-lhe ingredientes dignos do nome de Café, inclusive a TV de um só canal (mais não havia) a preto e branco, alcantilada em alturas propícias à causa de uns bons torcicolos.
 
Que histórias vividas no Café do Vasco! Traquinices, tertúlias, coscuvilhices, cumplicidades.
 
Recordo-me do famoso “Gelado à Vasco”. Um cubo de água com alguma groselha, uma hora de frigorífico e aí estava o gelado. Depois uma chupadela bastava e o que restava era água gelada. Valia por esse efémero gosto a groselha e principalmente pelas saborosas gargalhadas de ressaca. Também por cinco tostões…
 
Um dia, com toda a sua bagagem, o Café mudou de sítio, numa andança de poucos metros, e instalou-se em novas vistas com o nome de “Mira Rio”.Lá foi cumprindo a sua função, até que se fartou. Vila Cova a perder gente e reflexos óbvios na escassez da clientela. Deixou de valer a pena e em resultado o encerramento.
 
Mas ficará para a história de Vila Cova. O primeiro “Café” de Vila Cova.
Um abraço amigo Vasco.
 
 
 
 
 
Nuno Espinal

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