publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 25 Agosto , 2007, 07:47

 

 

 Texto de Henrique Gabriel
 
 
Deve ter sido por volta dos meus 8 a 9 anos que pela primeira vez vi aquela misteriosa personagem, portador de uma paz por mim nunca vista no rosto dos homens. Fascinava-me aquela figura tranquilamente sentada na mesa do canto num qualquer café da Figueira da Foz.
Vestia de preto, que muitos anos antes teria sido muito mais preto, com a sua pequena pasta de um couro marcado por rugas de muitas viagens.
Perscrutava em seu redor e escolhia a sua vitima, eu olhava ao longe adivinhando-lhe o olhar, da sua mala tinham saído as ferramentas do mago, uma folha de papel e uma pena de tinta da china. Quantas vezes tentei acompanhar o movimento rápido das suas mãos enquanto me ia crescendo o desejo de aproximação. Por fim, obra pronta, da  mesma forma serena, levantava-se, encaminhava-se para a mesa da sortuda vitima e sem qualquer apresentação, oferecia, simplesmente oferecia, um retrato, belos retratos saídos daquela pena de tinta da china e lá ia ele porta fora, humildemente, sem apresentações ou tempo para agradecimentos ou bajulações. Outras vezes encontrei-o nas esplanadas, canivete numa mão, na outra uma pedra apanhada à beira-mar. Uma simples pedra que com a destreza do Mestre ia ganhando novas formas metamorfoseando-se em obra de arte.
Obra pronta e olhando em volta, lá escolhia outro eleito a quem dava, unicamente dava, a obra terminada.
Um dia aconteceu. Permitiu-me sentar a seu lado e acompanhar com o olhar o rápido manusear daquela pena, enquanto entablava conversa comigo.
Quando em alguma dessas tardes lhe disse que era de Vila Cova, levantando os olhos daquela folha, olhou-me com meiguice e surpresa e perguntou-me: Como está o Padre Januário? Fui eu que o levei para Vila Cova. Foi de carroça que o levei...
Quantas vezes os imaginei de sotainas à intempérie, em cima da carroça por montes e vales, qual "Nome da Rosa", a caminho de Vila Cova, em consonância com os ensinamentos da sua fé.
Os anos passaram e, coisas do destino, dez anos passados tive a honra de ter sido seu aluno na Escola de Artes da ARCA em Coimbra, e de merecer a atenção especial do Mestre. Permitiu-me frequentar o seu atelier, em sua casa e ocupar o seu tempo ensinando-me as suas técnicas e contando-me as suas histórias, lembrando-me sempre de que foi ele que levou o Padre Januário do Seminário de Coimbra para Vila Cova, que o "coitado" nem sabia onde ficava.
E no meio das goivas e dos formões enquanto esculpia na madeira as lendas de Fajão, sempre ía dizendo: FOI DE CARROÇA QUE O LEVEI...
Mas, que não se pense que a  ligação do Monsenhor Nunes Pereira com Vila Cova se fica por acto já por si tão significativo. 
Há alguns anos, por caminhos e labirintos de que sou incapaz de imaginar o traçado, veio-me ter às mãos um belo postal representando a porta da Capela do antigo Solar do Conde da Guarda em Vila Cova. Se, por si só, não fosse tal suficiente para o guardar como "reliquía" , duas razões de vulto mais há a acrescentar.
Primeira, trata-se da reprodução em postal de um desenho a tinta da china feito pela pena do Mestre em 1942, a segunda é que como está bem explicito no verso, trata-se de uma edição (imagine-se) da Filarmónica de Vila Cova de Alva.
O Padre Nunes Pereira foi pároco em Coja entre os anos de 1935 a 1952.

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 25 Agosto , 2007, 07:34

 

 

Dia 29 de Agosto:
 
-Recepção no Aeroporto da Banda da Camacha;
-Viagem para Vila Cova;
-Passeio pela Vila (da parte da tarde);
 
Dia 30:
 
-Passeio à Serra da Estrela;
-Animação Nocturna (Karaoke);
 
Dia 31:
 
-Jogos Tradicionais;
-Passeio pela Região de Arganil;
-Porco no Espeto (a partir das 19 horas) Organização da Santa Casa de Misericórdia;
-Concerto Nocturno pelas duas Bandas;
-Animação pelo Conjunto “Nuno Filipe”;
 
Dia 1 de Setembro:
 
-Jogo de Futebol entre as duas Bandas Filarmónicas;
-Piquenique nas Margens do Alva;
-Tarde Desportiva;
-Animação Karaoke;
 
Dia 2:
 
Visita à Igreja Matriz e ao Convento;
 
Dia 3:
 
-Partida para a Madeira.

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