publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 06 Agosto , 2007, 20:49

 

 

Das “artes” sempre elegi a literatura, a poesia e a música. E foi pela música que cheguei à paixão por Cabo Verde, corria o ano de 1985. Mornas, culaderas e funanás, o Travadinha, que da rabeca brotava música como quem respira. Depois a literatura e a poesia, o “movimento da claridade”. Ganhei algum saber e a confiança que me permitiram escrever um texto que apoiou um videograma sobre os emigrantes caboverdeanos em Portugal. Valeu-me o texto uma viagem de quinze dias a Cabo Verde, oferta da própria embaixada daquele país.
 
Nestas andanças e acasos conheci gente, muita gente. De todos destaco Kiki Lima, jornalista, músico, compositor, cantor, poeta, escultor e pintor. Tornámo-nos amigos, amizade a sério, daquelas de cumplicidades. Um dia trouxe-lhe, para Queluz, onde residia, um bucho de Vila Cova. Ficou fascinado. “Isto é magnífico pá, isto é divino.”
Mais tarde tornei a repetir o gesto. Em véspera de partida resolveu, então, levá-lo para Cabo Verde. Contou-me depois que o bucho, o nosso bucho, foi apreciado, nas terras da cachupa, como um manjar dos deuses. O nosso bucho, o bucho de Vila Cova.
 
Kiki Lima dedicou-se em exclusivo à pintura. Hoje reside em Cabo Verde, mas a sua vida continua sem parança, em permanente caminhada. Tem exposto em todo o mundo. De quando em quando telefonamo-nos. Ainda ontem: Então o bucho pá? – perguntou-me. Logo lhe respondi: Bucho, à séria, só há um, o de Vila Cova e mais nenhum. Rimo-nos, claro.
 
Obriga-me a condição a uma referência. É que, e com muita honra e orgulho o digo, sou membro da “Confraria do Bucho de Arganil”. Por tal, como confrade que prezo ser, não devo calar o bucho de Folques. E vá lá, até o da Benfeita. E pára aqui. Outros que surjam, só por invenção, por mera fantasia.
Cumpro, assim, o meu dever de confrade. Mas, que querem? Isto já começa a ser patológico. É uma frase que me persegue, não me abandona, que me matraquilha a cabeça:
“Bucho, à séria só há um, o de Vila Cova e mais nenhum.”
 
 
 
(Fotos: telas de Kiki Lima)
 
 
Texto: Nuno Espinal

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