publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 17 Abril , 2007, 23:49
Tem um exterior que, no essencial, retrata a típica casa da região, de anos já passados.
O interior é um repositório de memórias, onde se alinham utensílios, adereços, adornos, mobílias e outros objectos que compunham as divisões onde habitaram avós e bisavós, em tempos de pobreza e até miséria.
Em tudo a Casa Museu revela sobriedade mas, acima de tudo, grandeza. A grandeza de um povo que sabe preservar as suas memórias e perpetuar parte da sua história agora e no futuro.
A Casa Museu de Casal de S. João merece ser visitada.
 
 
 
Foto: António Tavares

publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 17 Abril , 2007, 00:03
De tal modo lhes recolhi a essência que ainda hoje, e já são passados alguns anos, nos amenos pores do sol de verão, lhes oiço as toadas. As Toadas das Trindades.
Eram um momento único, de reverência, de recolhimento, de serenidade.
 
O “Luís Tarezo”, com mestria e engenho, tocava as “Avé Marias” dia a dia, ano após ano. Sem uma recusa, sem uma falha. Só que um dia imponderáveis surgidos forçaram-lhe a ausência. Um dia, dois…para aí uns quatro ou cinco seguidos.
 
Claro, foi substituído. Por quem? De modo algum me lembro. O que recordo, e recordo bem, é que num dos crepúsculos, como recurso, me vi na ensarilhada tarefa de ser eu a ter de tocar as “Avé Marias”. Eu mesmo - vejam bem, com os meus doze a treze anos, para aí.
 
Avisado que era, o Sr. Prior ter-me-á questionado:” Achas-te capaz? Olha que só dás as badaladas na altura em que o sol se estiver mesmo a pôr. Vê lá, estás a tempo de recusar… “. “Recusar nunca, Sr. Prior, nem pensar. Esteja tranquilo, vai tudo correr bem”.
 
Senti-me o maior, muito ufano, prestes a uma grande afirmação pessoal. Mas, há que confessá-lo, se grande era a honraria não menor era o pânico. Pois é!
Nem sei bem o que se passou, mas o certo é que até se me turvou a vista Talvez o medo, presumo. Então não é que, ainda o sol distava do horizonte, para aí umas duas horas, não ripo do badalo e, pimba, lá vão as “Ave Marias”?
 
Foi a escandaleira na vila. Os comentários não paravam: Oh! Oh! que raio é isto? Que palhaçada é esta? Quem foi o engraçado? Olha, acabou cedo o dia de trabalho! Deve ser muito amigo dos trabalhadores, só pode!
 
Alto que gostei! Gostei mesmo da última frase. Ser tido como amigo dos trabalhadores. Era novito, eu sei, mas aquilo soou-me bem. No meio de tamanha desgraça restava-me esse consolo. O consolo de me saber amigo. E hoje até dá para pensar...Quem sabe? É que, anos mais tarde vim a ser sindicalista. E esta?! Será que o Altíssimo, lá bem do Alto, nos seus desígnios, já me indicava caminhos futuros?
 
 
Nuno Espinal
 

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