publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 24 Fevereiro , 2007, 23:33
Corria, para aí, o ano de 1960. Em plenas férias grandes a “maralha” lá se ia divertindo. Até o Padre Januário nos mediava um jogo com o Barril. Não sei bem como chamar-lhe. Jogo de futebol sim, mas futebol de quê? De onze nunca, até porque a pequenez do “estádio” não o permitia. No velho terreiro mesmo em frente às tílias, onde hoje se ergue a Casa do Povo, éramos para aí uns cinco contra cinco, ou, sei lá agora, talvez uma meia dúzia.
 Lembro-me vagamente de umas coisas. As balizas marcadas com calhaus. Eu, o meu irmão Quim, o Oliveira Alves, o meu primo Jorge Augusto, o Toneca, o Eduardo (já falecido, neto do Ti João Caldeira) o irmão, a quem nós então chamávamos o “Padre Abílio” e o Fernando Vicente. Mais nomes, claro, suplentes à mistura, bem me esforço, mas já lá não chego. Recordo ainda que, a páginas tantas, as coisas não nos estavam a correr bem. Perdíamos por 4 a 2. Mas, a certa altura lá reduzimos. Foi o Eduardo, parece-me, que marcou.
Mesmo que não tenhas sido tu, meu caro Eduardo, este seria sempre teu, em tua memória.  
Com o golo, inquietaram-se os do Barril. Alegaram ser tarde, terem de se pôr a andar…que o jogo já não poderia demorar, etc, etc…Tivemos que negociar…enfim, ficou acordado…mais cinco minutos e pronto. E então não é que, mesmo antes do pronto, marquei um golo? E que golo que marquei. E logo eu que para estas lides não nasci predestinado. Só que aconteceu. A bola acertou-me na biqueira do sapato e…não é que parecia uma bala? Bem resvés os calhaus, os tais a fingirem trave, que até uma boina, neles poisada, voou que até parecia um disco voador.
Pois é. Pois aí é que foi a gaita. O pessoal do Barril a dizer que a boina voou sim porque a bola lhe bateu e, assim sendo, foi bola na trave, não foi golo. Que não, dizíamos nós, voou foi com o vento, o vento do balázio, tinha sido golo sim.
Terminou ali o jogo, claro, no meio de acalorada e pouco cavalheiresca discussão. Ainda agora vejo os do Barril, já à curva do café do Vasco, manguitos de parte a parte, batoteiros, diziam eles, cagufeiros, dizíamos nós.
Gostaria de repetir o encontro. Só que os golos, outros teriam ser. De um bom tinto, de preferência. E um brinde a ti, meu velho Eduardo…
 
 
Texto: Nuno Espinal
 
 

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