publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 01 Novembro , 2007, 23:40

Foi no século X que a Igreja Católica instituiu oficialmente o Dia de Finados e a partir do século XI, os papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) passaram a obrigar a comunidade católica a dedicar um dia aos mortos. No século XIII, esse dia passou a ser comemorado em 2 de Novembro, porque a 1 é a Festa de Todos os Santos.
Foram passando os tempos e a comemoração, sem perder o cunho religioso, ganhou rituais nos cemitérios, que se tornaram espaços de visita de todos aqueles que querem invocar os seus mortos e manifestar a saudade e recordação pelos seus entes queridos.
Vila Cova não foge à regra e nesta data as campas do cemitério estão cobertas de flores e de centenas de luminárias, que a quilómetros de distância, na noite de hoje, de 1 para 2, são percebidas pelo clarão que desprendem.
Mantendo-se a tradição há um pormenor, contudo, que já se alterou. É que em Vila Cova mudando-se os padres, mudaram-se as vontades. No tempo do Padre Januário a missa de evocação dos finados era rezada na madrugada do dia 2, às quatro da manhã, quase sempre. Com o Padre Cintra é bem diferente, a missa passou a ser rezada a horas bem mais adequadas ao próprio tempo biológico. Amanhã, dia 2, por exemplo, será rezada às quatro horas, mas da tarde.
Entretanto, há um acontecimento que na data de 1 de Novembro é sempre recordado em Portugal. O terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa e matou muitos milhares de pessoas. Outras localidades em quase todo o Portugal foram afectadas e em Vila Cova, ainda que numa dimensão em nada comparável, o sismo foi também sentido, como nos informa um depoimento do Padre Manuel Roque Gomes, que escreveu:
“…ter sido o grande abalo de terra acompanhado durante seis minutos, aproximadamente, dum rumor semelhante aos que fazem os trovões pequenos. A Igreja Matriz, apesar de ser um edifício moderno feito com toda a fortaleza, tremeu assustadoramente, tendo caído a coroa da imagem de Nossa Senhora da Piedade. E caíram também cinco bolas de pirâmides: uma delas só por milagre não matou um homem. Outra, com grande estrondo, veio a cair na sacristia, ficando sobre o caixão junto à imagem de Nossa Senhora do Rosário, que serve nas procissões, sem tocar na dita imagem.”
    
 Nuno Espinal

De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




comentários recentes
O meu profundo sentir á minha querida amida Sra D....
os azulejos lhe davam valor e beleza. muito perdeu
Pode publicar. Achamos importante que o faça. Obri...
É uma informação muito importante.Espero que não s...
O texto relaciona.se, de facto, com minha tia e ma...
Sim, de facto Maria Espiñal, minha tia, era escrit...
Minha Mãe sempre me disse que a madrinha dela era ...
Uma foto lindíssima.
Olá :)Estão as duas muito bonitas.Ainda bem que a ...
PARABÉNS à nossa FILARMÓNICA!
Novembro 2007
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
13
16

23

30


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds