publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 26 Outubro , 2020, 08:37

 

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Pintura a Óleo de Nazaré Pereira (Dra. Zita)

 

Desfolhei hoje um velho livro escolar, da disciplina de Francês do antigo 5º ano dos liceus e dei com os olhos num texto pleno, para mim, de recordação e emoção. O texto relata a vida rural de uma aldeia francesa, situada nas montanhas, cujos habitantes se dedicavam à vida agrícola e pastorícia.

Quando, como aluno, fiz a tradução em casa daquela lição, na iminência de ao outro dia ser confrontado com uma chamada oral, recordo-me do prazer que tive naquela tarefa, o que para mim era um caso invulgar, por certa cabulice que nos meus tempos de juventude me caracterizou.

Mas, que raio de prazer este, surgido como milagre? Porque carga de água?

Recordo-me de tudo perfeitamente e a razão era tão só esta que vos passo a explicar:

Nesse tempo, princípio da década de sessenta, Vila Cova era totalmente rural, com o labor agrícola a marcar a ocupação diária. As minhas vindas à terra, nos períodos de férias, proporcionavam-me essa realidade e realçavam-me a grande simplicidade campesina com que o correr dos dias era vivido. Fascinava-me essa vivência, esse bucolismo de então.   

O encanto dessa Vila Cova rural atiçou-me o empenhamento pela analogia que o texto, mesmo difícil e extenso, me provocou.   

Hoje tudo está diferente. Foi-se a vida agrícola no que tinha de marcante e perdeu-se muito, mas mesmo muito, do bucolismo e ruralidade de então.

Claro, diremos todos, ainda bem que assim é. Todos o sabemos: a tal vida de miséria daqueles tempos…

É verdade que sim, e eu bem o aplaudo, entusiasmado pelas crenças ideológicas a que sempre me arreiguei.

Mas, amigos, por mais que se me fundamente este realidade de hoje, continua a bater-me na memória o fascínio daqueles tempos.

Nada a  fazer: contradições assumidas.

 

 Nuno Espinal

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 22 Outubro , 2020, 03:39

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publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 21 Outubro , 2020, 15:15

Encontra-se disponível para consulta a Prestação de Contas relativas ao exercício de 2019 da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Vila Cova de Alva, nomeadamente o Relatório de Contas, a respetiva  Ata de Aprovação da Assembleia Geral e  o Parecer do Conselho Fiscal.

Para consulta deve aceder ao seguinte link :

rel. contas.pdf

parecer conselho fiscal.pdf

ata assembleia geral.pdf

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 15 Outubro , 2020, 11:46

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Há um meio termo entre o tempo veranil e o outonal, ainda que à noite a friagem nos peça um bom agasalho.

Mas, as tardes com céu azul e sol afagante levam, aos que podem, à procura de um embrenhamento na Natureza, em locais protegidos das ameaças da pandemia.

A minha situação de reformado dá-me esta oportunidade.

 Mas, nem preciso de sair de casa, já que o meu autoconfinamento assim o impõe.

Chego à varanda da minha casa e eis-me no Reino da Natureza.

E isto porque autoconfino-me em Vila Cova.

Agradeço aos meus avós, em reconhecimento póstumo, este dádiva que me deixaram.

A sua Vila Cova.

Para mim, Vila Cova e a sua  prodigiosa Natureza.

 

Nuno Espinal


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 08 Outubro , 2020, 08:05

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Esta foto, que me foi enviada, ressaltou-me, no imediato, uma profunda emoção. Cinco mulheres e uma criança, em fotografia captada no muro de uma fonte que tem nome de Santa e também de Mulher: Teresa.

A presença da criança no meio de Mulheres/Mães, levou-me a significados que abrangem a palavra latina “Mater”, como a Mãe progenitora de cada um de nós, mas também como a Mãe Universal de todos nós, Maria, consagrada pela Igreja Católica.

Esta peça do Miradouro é uma homenagem à Mulher/Mãe.

Tanto me faz que o calendário lhe aponte uma data própria. Dia da Mãe é sempre, todos os dias.

E para sublimar esta homenagem, deixo-vos as superiores palavras de dois grandes poetas da Língua que se chama Portuguesa. Um Poema do nosso Zeca Afonso e também do nosso poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade. Afinal, do Português, também se diz a “Língua Mater”, como Língua que é Pátria de tantos Povos no Mundo.

As Senhoras da foto são a D. Beatriz de Almeida, a D. Helena Vilas-Boas, a D. Natália de Figueiredo, a D. Beatriz Alves e a D. Helena Medina. Todas já falecidas, à exceção da D. Natália de Figueiredo.

A criança desconhecemos quem é. Esperamos elucidação, para posterior registo no Miradouro.

 

Poema de Zeca Afonso

 

Quanto é doce quanto é bom
No mundo encontrar alguém
Que nos junte contra o peito
E a quem nós chamemos mãe
Vai-se a tristeza o desgosto
Põe-se um ponto na tormenta
Quando a mãe nos dá um beijo
Quando a mãe nos acalenta
E embora seja ladrão
Aquele que tenha mãe
Lá tem no meio da luta
Ternos afagos de alguém

 

Excerto de poema de Drumond de Andrade

 

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 

Nuno Espinal

 

publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 03 Outubro , 2020, 17:37

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A Sociedade, a nível mundial, tem sido direcionada a uma Sociedade tendencialmente unificada, por força da mundialização dos capitais, dos mercados financeiros, das comunicações, dos transportes, das empresas, do consumo, da cultura, da educação.

Factos mundanos há, e para não expor outros que pela sua complexidade impunham a extensão deste texto, que evidenciam esta mundialização.

Veja-se na “moda” o uso da juventude, em todo o Mundo, das calças rotas ou dos fatinhos apertados que destoam de uma aparência elegante e confortável.

Veja-se, em exemplo que todos apreendem, a influência das telenovelas brasileiras, quando, entre muitos outros exemplos, a palavra “bicha”, com significado pejorativo no Brasil, tem sido substituída, no falar corrente, em Portugal, pela palavra “fila”.

Mitigado o poder decisório do cidadão, já que a sua vontade é burilada pela Globalização, há um individualismo que lhe emerge e que raia o próprio egoísmo e até, em alguns, posturas de anomia.

Nestas condições, a sociedade, ou as várias sociedades, nos extratos em que existem, enfraquecem-se nas suas agregações, tornando-se débeis e pouco eficazes nas suas expetativas funcionais.

As próprias relações entre indivíduos tornam-se mais difíceis, desconfiadas, incertas e violentas em alguns casos.

Atente-se à comunidade vilacovense nos dias de hoje.

 Quão diferente, nos seus relacionamentos interpessoais, da comunidade de há uns anos.

As pessoas enfiam-se nos seus casulos, defendendo o seu quinhão material e a preocuparem-se não mais do que com o seu reduto familiar e este restrito ao um núcleo de pais/filhos, estes últimos em idade não adulta.

Perdeu-se a noção de Sociedade, defensora dos interesses coletivos da Comunidade.

Há que reverter esta tendência e caminhar para a implantação de uma “Boa Sociedade”, conforme expressão feliz do sociólogo Riccardo Petrella.

“Boa Sociedade” fundada nos princípios da justiça social, com especial destaque para os princípios da cidadania e da solidariedade.

Dir-se-á que, no estado atual de pandemia, a ideologia que desponta deste texto tem pouca acuidade.

Preconiza-se, por questões sanitárias, a distância social e até o afastamento social.

Mas, a pandemia é tão só um parêntese neste continuum que é prenúncio de uma Sociedade em crescente anemia.

Contudo, há que ter em consideração que nada é eterno e imutável no decurso da História.

Homens e mulheres serão capazes de refletir de modo a alterar a realidade com que nos deparamos no Mundo de hoje.

O nosso próprio destino, na construção da tal “Boa Sociedade” é da nossa exclusiva competência.

Se não conseguirmos dar o salto em direção a um Mundo diferente bem podemos temer o futuro que nos aguarda.

 

Nuno Espinal

 
 

publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 22 Setembro , 2020, 02:58

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Foi o primeiro treino, mas já deu para tirar bons apontamentos. Porque o treinador, Gonçalo de seu nome e natural de Pomares, percebe-se de imediato que tem “Escola”.

Vindo do “Coja”, onde deu provas da sua competência, promete com o Vilacovense.

Neste primeiro treino os jogadores foram sujeitos a exercícios de endurance física e de performance técnica e tática.

Boas expetativas, que despontam deste treino. Assim os jogadores correspondam.

Mas, o Vilacovense é toda uma estrutura que tem na Direção um pilar importante. Vimos o afã dos dirigentes, desde o Presidente, José Raimundo, a todos os restantes membros, em trabalhos que dedicam em melhorias de todo o complexo desportivo.

O início do campeonato do Inatel ainda está sem data marcada. Mas, quando começar o Vilacovense estará preparado para dar boa réplica.

Tudo se conjuga para tal, num elo, em que treinador, jogadores, staff de apoio, e dirigentes dão garantias de entrega e dedicação.

 

Nuno Espinal

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publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 18 Setembro , 2020, 01:20

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Publicamos uma cativante lenda sobre o nosso Rio Alva, que recolhemos do livro "Lendas Portuguesas", com textos de Fernanda Frazão:

A Raiva do Alva

Havia em Pombeiro da Beira uma velha história sobre uma disputa entre três rios portugueses, nascidos na Estrela: o Mondego, o Alva e o Zêzere. Nascidos da mesma mãe, viviam os três irmãos, serpenteando pelas vertentes, tranquilos e alegres, amigos e companheiros. Passavam os seu dias mirando-se cada um na limpidez das águas dos outros, e jogando às escondidas nas gargantas, furnas e sorvedouros da gigantesca mãe.

Certa tarde, porém, pela noitinha, envolveram-se em azeda discussão, ao que parece motivada por arrogâncias de valentias. Trovejaram rivalidades e prometeram-se romper as prisões de infância, acabando por desafiar-se para uma corrida cuja meta seria o corpo enormíssimo do mar: o primeiro que lá esbarrasse seria o melhor de todos os três.

Qual deles descobriria melhor o caminho? Qual conseguiria desenvolver maior barulho e força? Qual, dos três, seria o primeiro a oferecer as suas doces águas às salgadas águas do mar? Era o que iria ver-se!

O Mondego, astuto, forte e madrugador, levantou-se cedo e começou a correr brandamente para não fazer barulho. E sem levantar suspeita foi escorrendo desde as vizinhanças da Guarda, pelos territórios de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim. Na Raiva, onde os primos vieram cumprimentá-lo, robusteceu-se com eles e dali partiu na direção de Coimbra, depois de ter atravessado ofegante as duas Beiras.

O Zêzere, porém, estava alerta e ao mesmo tempo que o Mondego o fez, começou a mover-se oculto no seu leito de penhascos, enquanto pôde.  Foi direito a Manteigas, onde perdeu de vista o irmão. Passou também perto da Guarda, desceu correndo até ao Fundão e, de repente, desnorteou, obliquando para Pedrógão Grande. Quando deu por si, no meio daquela louca correria, tinha atravessado três regiões e estava ainda em Constância. Aí, cansado e desesperado, vendo-se perdido e sem hipótese de alcançar o mar, abraçou o Tejo e e ofereceu-lhe as suas águas.

O Alva, poeta sonhador, entreteve a sua noite contemplando as estrelas. Adormeceu por fim, placidamente, confiado no seu génio, e quando acordou estremunhado, era manhã alta. Olhou em sua volta e viu os irmãos correndo por lonjuras a perder de vista. Que fazer agora? Que imprevidente fora! Mas… remediar-se-ia o desastre! E o Alva atirou consigo de roldão pelos campos fora, rasgou furiosamente montanhas e rochedos, galgou despenhadeiros, bradou vinganças temerosas. E quando julgou estar a dois passos do triunfo… foi esbarrar com o Mondego, que há horas já lá ia, campo de Coimbra fora, em cata da Figueira, onde se lançaria no seio maternal do oceano, ganhando assim a tão discutida corrida.

O Alva esbravejou e com a sua furiosa zanga atirou-se ao irmão, a ver se o lançava fora do leito. Quando se sentiu impotente ante a serenidade majestosa do outro, espumou de raiva. E o Mondego rindo, engoliu-o de um trago.

Ao memorável local de encontro, a foz do Alva, passaram as gentes a chamar-lhe Raiva, em memória deste caso «tremebundo».

 
 
 

publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 14 Setembro , 2020, 23:28

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A Festa, a da Nossa Padroeira, tem uma data que a tradição impunha: dia 8 de setembro. Contudo, a comunidade tem aceitado alterações nas datas de comemoração das suas efemérides. E isto por uma só razão. O antigo mundo de trabalho agrícola, que empregava a quase 100% o universo de trabalhadores na nossa aldeia, desapareceu por completo, passando os trabalhadores a assalariados ou com atividade por conta própria, em setores que não o agrícola.

Por exigências de horário laboral a Festa de 8 de setembro passou a cumprir-se aos domingos em data posterior a 8 ou, nesta data, quando ela coincida com um domingo.

Eis a razão que ditou que a festa fosse comemorada ontem, domingo, dia 13 de setembro.

E com mais uma alteração, este ano, esta muito circunstancial, devido à pandemia que assola o mundo inteiro: não houve Procissão, que faz percorrer o andor de Nossa Senhora da Natividade pela Vila inteira.

E outra alteração mais, ainda pelo mesmo motivo: a Missa foi ao ar livre, no Adro da Igreja, por razões de maior segurança sanitária.

Missa cantada acompanhada pelo Grupo da própria Igreja.

 

Bruno Santos

 

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publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 12 Setembro , 2020, 22:11

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Por gentileza do meu amigo, Professor Manuel Fernandes, foi-me dado ao conhecimento as Bodas de Ouro do casal Manuel Carlos Neves Ribeiro (Renato), e Maria Estar Lopes da Silva.

Faz hoje 50 anos que casaram na Capela de Vinhó e foram celebrantes da cerimónia religiosa do matrimónio o saudoso Padre Januário Lourenço dos Santos e o próprio Professor Manuel Fernandes, primo do casal.

Deste casamento resultaram dois filhos, Ana Cristina e Manuel António que estão a celebrar com os pais esta tão significativa comemoração.

Aos “noivos”, em nome de toda a equipa do Miradouro, os nossos muito calorosos Parabéns.

 

Nuno Espinal

 

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