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publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 31 Março , 2010, 08:36

Da esquerda para a direita: Srs. Augusto Calinas, Sargento Santos, Manuel Dias, Luís Filipe, Eng. Pinheiro, José Luís, Prof. Carvalhais, José Carvalho, eu próprio, Piçarra e Alexandre Cerejeira.

 

Sempre me dei ao relacionamento interpessoal e dele julgo ser um bom cultor. E nestes dias sombrios e chuvosos é entre quatro paredes que me tenho, grande parte do tempo, de quedar, procurando, muitas das vezes, o convívio e o cavaquear, em conversas que me permitem falar, mas também ouvir.

Procuro, dos outros, a companhia que, de entre outras mais-valias, me proporciona o sentimento de que sou parte integrante desta massa de gente que, nas teias que constrói e em que se envolve, vai fazendo a sua própria história da vida.

Neste falar, mas acima de tudo, neste também ouvir, vou-me munindo de informações e saberes e lá vou ficando ao corrente das correntezas deste nosso quotidiano, desde o que é de excelência ao que é de mais mesquinho. Como diz o provérbio, tudo no mundo é misturado de força e de fraqueza, de pequenez e de grandeza.

E nesta busca incessante de convívios e conversas, vou criando hábitos e, por uma consagração pessoal, mais do que hábitos, rituais.

Eis-me, por exemplo, nos almoços das quartas-feiras. Um ritual porque acontecem em concomitância de sujeitos, tempo e espaços. Têm objectivos próprios, procedimentos, regras. E um espírito beirão, um estar serrano que, mais do que tudo, os diferencia.

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 30 Março , 2010, 12:52

É da praxe: Quando termina o campeonato do Inatel (1ª fase) dirigentes e jogadores do Vilacovense reúnem-se num jantar para confraternizarem. Quase todos presentes (ausência de quatro jogadores por motivos profissionais) e um ambiente de festa e grande camaradagem. De resto, os ingredientes foram de sobra para que este convívio se concretizasse em pleno. Uma época em grande, com a qualificação para a fase seguinte conseguida, a amizade entre todos a ser soberana e relações pessoais e institucionais sem máculas a registar.

Houve os tradicionais e imprescindíveis discursos. Dois a assinalar. O do treinador Wilson (e também jogador), que manifestou a esperança de todos os jogadores estarem presentes no próximo dia 18 para o muito difícil confronto com a equipa do Brasfemes. Curiosa a referência e o gesto de Wilson para com o guarda-redes Paulo Henriques. É que Paulo Henriques tem um ar um tanto “punk”, pelo corte de cabelo e pode aparentar uma atitude algo “néglengicé”. Este aparato terá assustado, inicialmente Wilson. Mas os receios desvaneceram-se com o tempo, já que Paulo Henriques revelou boas qualidades humanas no relacionamento,  e a comprová-lo o treinador do Vilacovense decidiu-se a oferecer a Paulo Henriques uma lembrança pessoal (uma medalha), meramente simbólica, mas que consubstanciasse um gesto que quis que fosse testemunhado por todo o grupo.

Também discursou o Presidente do Vilacovense, Carlos Antunes, que agradeceu a todos os jogadores a espectacular época realizada. Ainda assim, toda a “bela tem um senão” e o senão da época do Vilacovense terão sido os resultados das últimas quatro jornadas. Mas há que apagar este momento menos conseguido e a melhor forma de o fazer será, nas palavras de Carlos Antunes, com uma boa exibição no jogo contra o Brasfemes.

 

 

Nuno Espinal/Fábio Leitão

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 30 Março , 2010, 12:37
E o Padre Cintra disse: Vamos em Paz, em Peregrinação, tal como Cristo ao encontro do Pai. Iniciava-se então a Procissão, antecedida da bênção dos ramos de loureiro, no átrio da Igreja do Convento.

Depois seria a Missa na Igreja Matriz.

Cumpria-se uma vez mais a Tradição, neste Domingo de Ramos do ano de 2010.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 29 Março , 2010, 16:29
E o Padre Cintra disse: Vamos em Paz, em Peregrinação, tal como Cristo ao encontro do Pai. Iniciava-se então a Procissão, antecedida da bênção dos ramos de loureiro, no átrio da Igreja do Convento.

Depois seria a Missa na Igreja Matriz.

Cumpria-se uma vez mais a Tradição, neste Domingo de Ramos do ano de 2010.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Segunda-feira, 29 Março , 2010, 00:44
E o Padre Cintra disse: Vamos em Paz, em Peregrinação, tal como Cristo ao encontro do Pai. Iniciava-se então a Procissão, antecedida da bênção dos ramos de loureiro, no átrio da Igreja do Convento.

Depois seria a Missa na Igreja Matriz.

Cumpria-se uma vez mais a Tradição, neste Domingo de Ramos do ano de 2010.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 28 Março , 2010, 09:44

Ora aí está o Programa que publicita  o III Passeio de Bicicleta, organizado pelo Grupo Recreativo de Vinhó. As inscrições, por 10 Euros, estão abertas e o percurso, de uns trinta e quatro quilómetros, proporcionará, a quem o cumprir, uma verdadeira festa para a vista, pelos motivos paisagísticos que integra. Para além deste aspecto, estamos perante uma acção que enquadra um propósito pedagógico de incentivo à prática desportiva, com todos os benefícios para a saúde. Do programa consta uma paragem em Vila Cova, que se efectuará no terreiro do Centro de Dia, de cerca de meia hora, onde os ciclistas tomarão o pequeno almoço e aproveitarão para reforçar o convívio que esta iniciativa também ocasionará. Toca pois a inscrever, através dos contactos: 966481150 ou 936955587.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 27 Março , 2010, 09:17

Realiza-se amanhã, Domingo, a Assembleia Geral da Santa Casa de Misericórdia de Vila Cova de Alva a fim de serem analisados e votados os Relatórios e Contas e o Parecer do Conselho Fiscal referentes ao exercício do ano transacto.

Sabe-se que o ano de 2009 apresenta bons resultados financeiros, mercê da política de rigor e da gestão eficiente dos últimos anos concretizadas pela Direcção da Santa Casa.

Entretanto, dentro em breve deverá estar esboçado o projecto de alargamento das instalações do Centro de Dia.


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 26 Março , 2010, 10:06

Norte de Angola, anos 70, 71, companhia 2890,  de comandos e serviços.

Era corpulento o básico Asdrúbal. Mas, de miolos um vazio. Abrutalhado, desengonçado, atrasado, era modelo chapado á gozação.

-Oh Asdrúbal, queres vir às gajas? Anda daí, bora lá à sanzala…

E a resposta do Asdrúbal era sempre a mesma.

-Não vou, tenho namorada na metrópole, até já tenho casamento marcado para quando lá chegar…

A soldadesca rebolava-se a rir. Claro, essa da namorada ninguém a engolia.

-Vai-te lixar oh Asdrúbal. Tens é medo delas…

-Eu medo delas? Experimenta é pôr a tua gaja, nua, à minha frente.

Vinha nova barrigada de riso. E a história repetia-se vezes sem conta.

Até que um dia o Asdrúbal , já farto de tanto gozo…

 

Tinha sido distribuído o correio que, uma vez por semana, nos chegava por avião. Silêncio total, nesses momentos, na leitura de aerogramas e cartas. Só que o Asdrúbal, dessa vez, interrompeu abruptamente o silêncio, com uma surpreendente entrada em cena. Mãos na cabeça, era ouvi-lo, em choro comovente:

-Ai que estou desgraçado, ai que estou desgraçado, ai que estou desgraçado…

Todos presos ao Asdrúbal, todos suspensos no Asdrúbal.

-Oh Asdrúbal o que é que foi, conta lá o que se passa…

-Ai que estou desgraçado, ai que estou desgraçado…Soube agora da metrópole que a minha namorada está grávida de mim…

Meus amigos, a risota louca que se seguiu, a dimensão da chacota, são de todo indescritíveis. Até o mais sério, dos mais sisudos deste mundo, não teria resistido.

 

É que havia catorze meses que decorria a comissão e o nosso bom do Asdrúbal nunca daquele espaço, cercado de arame farpado, tinha despregado pés.   

 

Nuno Espinal 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 25 Março , 2010, 00:59

Voltemos ao Asdrúbal. Corpo hercúleo, força de touro, mas um cabeça de burro de todo o tamanho.

Um dia lá integrou uma equipa de futebol. Chocar com ele era o mesmo que chocar com um penedo. A bola, a certa altura, lá lhe chegou a um dos pés. Nem perdeu tempo. Chuta para onde estava virado, aquilo saiu que nem um canhão. Golo! Louco de alegria corre o campo de um lado ao outro, braços no ar.

Nós, atónitos, nem queríamos acreditar.

É que o Asdrúbal acabava de marcar golo na própria baliza.

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 24 Março , 2010, 08:30

Há dias uma jovem vilacovense pediu-me que lhe respondesse a algumas perguntas sobre a minha experiência na guerra colonial (anos 70 e 71), para um trabalho seu na escola.

Concluída a entrevista, fiquei entregue a muitas das recordações de acontecimentos que nesse período vivi.

Houve-os menos felizes, alguns bem tristes, contingências típicas de cenário de guerra, mas enfoquei a memória a episódios gratificantes, alguns bem “folgazões”.

Permitam-me que partilhe convosco uma breve e engraçada historieta, a do Asdrúbal.

O Asdrúbal era um soldado básico, que nada devia à inteligência. Servia na messe de graduados, onde lavava pratos e copos e servia umas cervejas e uísques.  

Ora, a messe à noite, naquele aquartelamento no sopé da serra de kanda, no norte de Angola, era espaço de jogos de cartas e conversas acaloradas, estas muitas vezes de política. Eu mais alguns formávamos o grupo dos “esquerdelhos” e fervilhávamos ideias e convicções sobre a luta na América Latina, Che Guevera, Fidel de Castro e a revolução em Cuba.

O bom do Asdrúbal um dia, farto de tanto ouvir, não se conteve e comentou: Os “mês” alferes e furriéis que me desculpem. Mas é que os senhores cometem aí um erro. Eu sou alentejano, de Cuba e garanto-vos que em Cuba, minha terra, não há nenhum Fidel de Castro. Isso posso-vos eu jurar pelo que de mais sagrado há!

Foi a risada geral e o gozo instalado. O Asdrúbal é que não gostou nada da chacota e ofendido conseguiu chegar à fala com o comandante e não se coibiu de dizer: “Mê” comandante, na messe não me têm respeito. Passam a vida a falar de Cuba, que é a minha terra e de um tal Fidel de Castro que lá mora e eu garanto ao meu comandante que lá não há Fidel de Castro nenhum".

O Comandante é que não gostou nada da história. Reaccionário e salazarento ficou em brasa sobre o ambiente esquerdizante da messe. O quê, conversas subversivas em pleno palco de guerra?

Chamou-nos a todos, “parangonou-nos” com pátria para aqui, pátria para ali e proibiu-nos de proferir uma palavra que fosse sobre ideias de esquerda, fossem quais fossem e que atentassem contra a integridade do nosso “Portugal uno e indivisível”.

Claro, que continuámos a ter as nossas conversas. Mas com todos os cuidados. O Asdrúbal, na galhofa, passou, para nós a ser “bufo da pide”. É que, mal se aproximava, mutismo total. Ele, mesmo na sua ignorância, isso percebeu. Inchava todo. Afinal, o respeitinho é muito bonito!   

 

Nuno Espinal

 

 


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