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publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 28 Fevereiro , 2009, 03:17

Por Nuno Espinal

 

Nos carnavais de Vila Cova dos últimos anos, a par das imprescindíveis quadras, geralmente alusivas a temas glosados no “cortejo”, surgem sempre quadras “clandestinas”, que são deixadas à sorrelfa em locais intencionalmente escolhidos. 

Desta vez o alvo foi a “Flor do Alva”, entidade organizadora do Carnaval que, ao que é sugerido, impediu a liberdade de expressão. Ora, ao que nos informou o Presidente da Direcção da Flor do Alva, o que se desaconselhou foi “o abuso de agressões verbais e pessoais desbragadas, geradoras de mal-estar e provocadoras de divisões na própria comunidade. Fixaram-se apenas limites que impedissem que o carnaval de Vila Cova ficasse ligado a questiúnculas políticas locais, de arremessos meramente pessoais”.

Curiosamente, nestas quadras clandestinas do carnaval de 2009, que são, como sempre, de autor anónimo, detectam-se versos do célebre e popular António Aleixo, plágio que denunciamos em prol da sua memória e obra, com a particularidade de uma das suas famosas quadras ter sido transformada em quintilha:

Na minha forma de vestir

Sei que pareço um ladrão

Mas há muitos que conheço

Que sem parecer o que são,

São aquilo que eu pareço.

 

Deixamos aqui publicado um conjunto das quadras que nos parecem mais sugestivas, omitindo, entre outras, as de António Aleixo. Neste conjunto de quadras são feitas alusões ao Presidente da Junta e à “mordaça” imposta a troco de um subsídio de apoio à organização do carnaval:

 

O “Jornal o Mal Dizente”

Anda pelas ruas da amargura

Foi apanhado pela crise,

Motivada pela censura

 

Esperamos que para o ano

Continuem a trabalhar bem

Não deixem que mande em vós,

Nenhum filho da…mãe.

 

Sois uma Direcção unida,

Inovadora sempre ordeira

Desta vez quase deixaram,

Que lhes colocassem a coleira.

 

Dar-vos-ia um donativo

Desde que a sua vontade se faça.

Por uma mísera esmola,

Lhes impuseram a mordaça.

 

Teria que ser muito digno,

Vos informou o Presidente.

Será que ele é mais digno

Ao recensear um demente?

 

Um apelo quero fazer,

Dirijo-me a toda a Direcção

Só a PIDE nos roubava,

A liberdade de expressão.

 

Sempre os mesmos a trabalhar,

A Direcção e mais ninguém

No Carnaval se dão piadas,

Desde que não se ofenda ninguém.

 

Na presente Direcção,

Há gente que ignora,

Que a Banda tem muitos anos,

Não é Filarmónica de agora.

 

Há jovens voluntariosos,

Nos acusam da palavra dada.

Onde está a matéria prima,

Para não ser uma palhaçada?

 

Estão a correr com os velhinhos,

Que a Filarmónica contém.

Gostava mas não é possível

Ver-vos ir muito além.

 

/…/

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 27 Fevereiro , 2009, 07:06

 

Sobre o Vilacovense, a falta de equipamento dos jogadores com o jogo quase a começar e ainda…

 

Mas que belos desportistas,

Do nosso clube de sempre.

Já que somos campeões,

Quer-se o povo contente.

 

Mas nem tudo corre bem,

Todos temos sentimentos.

Na hora do jogo começar,

Não havia equipamentos.

 

Com o clube campeão,

Todos vibram à maneira.

O treinador até falta ao jogo,

Para curar a bebedeira.

 

 

Sobre o Bucho e a sua Confraria e uma perspectivada Confraria do Caracol

 

Já temos a confraria,

Do nosso Bucho especial.

Teremos quem defenda,

Um produto regional?

 

Foi um belo dia de festa,

Todas as pessoas animadas.

Para a vila ficar bonita,

As placas “Vende-se” foram retiradas.

 

Vai nascer em Vila Cova,

Uma nova confraria.

Aquando da Inauguração,

Nova festa e alegria.

 

Aceitam-se novos confrades,

Entrem todos neste rol.

Vai agora ser formada,

A confraria do Caracol.

 

 

Sobre a prometida ETAR, em Vila Cova, e o saneamento em Vinhó e S. João

 

A ETAR de Vila Cova,

Que seja feita depressa.

Mas com este executivo,

Já não passa de promessa.

 

O local já foi escolhido,

E dizem ser à maneira.

Atenção que passa lá,

Praticamente uma ribeira.

 

Esperemos que a Etar,

Se faça a qualquer momento.

Não como a fonte dos passarinhos,

Que só se avista cimento.

 

Esperemos estar cá,

Aquando da Inauguração.

No dia 1 de Abril,

Inauguramos a de S. João.

 

Em Vinhó e S. João,

O Saneamento parou.

Abusaram dos proprietários,

Os terrenos, alguém pagou?

 

 

Neste ano de eleições,

Nova promessa vão fazer.

A Etar e saneamento,

Vão ser feitos a correr.

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 26 Fevereiro , 2009, 07:32

Há quem lhes chame “Jornal de Maldizer”. Ou, ainda, “Jornal de Carnaval”. Poderiam até ter, entre muitos, outro título, rebuscando-se-lhes a definição: “Quadras Populares Satírico/Burlescas”, por exemplo. Chame-se-lhes o que se quiser, é bem certo que as quadras são, nos carnavais de hoje, elemento já imprescindível.

Quando vêm à Praça Pública é ver as pessoas com avidez a interpretá-las, em gozo patente, gargalhado até. Podem ter o defeito de, por vezes, serem excessivamente acintosas, cruéis, maldosas e, sob a capa anónima, violadoras de espaços íntimos e de foro pessoal. Mas há um mérito que se lhes reconhece: são uma fonte de expressão popular, num género que é típico e exclusivo do povo português, com raízes profundas na cultura popular e integrantes, como elemento, da nossa cultura base.

 

Vamos a partir de hoje publicar algumas dessas quadras que, no Carnaval de 2009, correram de mão em mão. Nem sempre, ou quase nunca, respeitam as duas regras básicas que literariamente as enquadram: rima e métrica. Mas demos-lhes esse desconto e preocupemo-nos antes com o seu essencial objectivo, que tem no sentido crítico e satírico a sua principal finalidade.

 

Nuno Espinal

 

 

 

 

(Sobre o Cepo de Natal):

 

Nem na noite de Natal,

O cepo se viu arder.

Acaba-se a tradição,

Sem ninguém para o fazer.

 

Os nossos jovens de agora

Não precisam de aquecer.

Na praça o cepo não ardeu,

Elas fazem-nos ferver.

 

 

(Sobre a Herança “José da Silva”):

 

Certa herança foi doada,

A querida instituição.

Todos deram menos um,

Pois queria o seu quinhão.

 

Por certo não fica rico,

Com a parte que lhe toca.

Esperemos que com tanta ganância,

A esperteza não lhe saia torta.

 

 

(Sobre um ralhete injusto dado a cães pelo dono que se levantou da cama altas horas da noite):

 

 

Era tanto o alarido,

De tantos cães a ladrar.

Já farto de os ouvir,

O dono os mandou calar.

 

Os bichos tinham razão,

Pois a raposa atacou.

Sete galinhas e um galo,

A malandra papou.

 

 

(Sobre umas senhoras “habituées” da Missa)

 

Tão devotas elas são,

À missa vão quase sempre.

Que não seja só por elas,

Mas que rezem por toda a gente.

 

Distraídas como estavam,

Entretidas a conversar.

Estava na hora da missa,

O padre teve de as chamar.

 

(continua)

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quarta-feira, 25 Fevereiro , 2009, 02:46

 

Coja continua a afirmar-se como o grande (e longe de ter rival) cartaz de carnaval do concelho. E de ano para ano não pára de atrair mais gente, vinda, em grande número, de lugares fora do concelho. As alegorias mantêm o traço típico que as ligam, quase sempre, às terras que representam, numa simplicidade de meios que ainda mais realça a criatividade e humor postos ao serviço, em especial, da sátira social e política locais.

Vila Cova fez-se representar por três carros, um dos quais (conduzido pelo Sr. Joaquim Antunes) representava a Santa Casa de Misericórdia e glosava a permanente ausência de médico às Quartas-Feiras na Casa do Povo. Um outro (levado pelo Sr. António Paiva) caricaturava um Parque Infantil previsto para Vila Cova e cujo material de construção já há tempo se encontra na posse da Junta. O terceiro era o "carro bomba", com estoiros constantes e todo camuflado de verde tropa.

De destacar, o que já seja tornou um hábito, a presença de muitos vilacovenses que se associaram a esta grande festa, que é por certo a manifestação mais popular e genuína do concelho.  

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Terça-feira, 24 Fevereiro , 2009, 01:07

 

Ai de nós se alguma vez a juventude perdesse a sua tradicional e secular irreverência. Porque irreverência associo-a a criatividade, a transformação. Indivíduos que atravessaram o seu ciclo juvenil desprovidos de qualquer assomo de irreverência deverão ser, no percurso da sua idade adulta, gente sem futuro, pelo menos desprovidos de interesse social, por passivos até no sentido de impulsores à inovação.

Vem este intróito a propósito de um grupo de jovens que em Vila Cova desfilou no cortejo de carnaval, integrantes do grupo “Bombos de S. Krikalho”. O termo “krikalho”, já por si, tem toda uma carga de descarada maroteira. A ponto de a locutora da Rádio Arganil, depois de o ter pronunciado uma primeira vez, o ter banido, (análise semântica percebida) sempre que anunciava o Carnaval de Vila Cova. Há em “krikalho” o intuito economicista do “dois em um”. E mais não será preciso dizer.

Mas a mim o que me surpreendeu e deixou prestes a estalar de gozo foi o quadro alegórico em que os “Bombos de S. Krikalho” se enquadraram. As fotos dizem tudo e dispenso-me a comentá-las. Toda a cena no desfile, com a chinfrineira saída dos artefactos sonoros, os bonecos sentados nas cadeiras de um suposto templo e o ícone caldense, ficará, até por um certo “non sense”, como uma das de melhor registo dos carnavais de Vila Cova.

Parabéns pela ideia, humor e ousadia.

 

PS: Tenho uma admiração especial por estes jovens de Vila Cova. Estão, como é uso dizer-se, em quase todas: Filarmónica Flor do Alva, Grupo Desportivo Vilacovense e muitas das manifestações que pelo “burgo” vão decorrendo. Ah! Um pormenor que faz todo o sentido referir: estes jovens integram ainda o Grupo Coral que muitas vezes acompanha as Missas em Vila Cova. Fazem-no com fé, com devoção.

Para todos eles, pelo muito que têm feito e fazem pela comunidade, o meu maior aplauso.

 

Nuno Espinal     

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 22 Fevereiro , 2009, 22:18

Foi de facto um Desfile de Carnaval em cheio. O dia de Sol ajudou a uma invasão de forasteiros, que vieram divertir-se com o cortejo dos carros alegóricos, cheios de criatividade, sátira e muita cor. Vila Cova e em especial a filarmónica Flor do Alva (organizadora) estão de Parabéns por esta manifestação de cariz genuinamente popular. O cortejo, pela participação de carros e pela adesão de público bem pode considerar-se o de maior êxito dos últimos anos.

O Miradouro vai publicar alguns apontamentos sobre esta realização vilacovense. Entretanto, é possível que um ou outro carro dos que hoje desfilaram em Vila Cova venha a participar no desfile de Terça Feira em Coja.  

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Domingo, 22 Fevereiro , 2009, 02:00

Sem qualquer constrangimento, respeita-se a vontade de todos os que decoraram o carro alegórico da Santa Casa, que logo vai desfilar em Vila Cova no cortejo de Carnaval. Nada de publicar a foto do carro, já quase pronto, assim foi pedido, antes de se incorporar no desfile. Apenas a foto de alguns adereços no início dos trabalhos de decoração.

Quanto às quadras que acompanham o carro, nada sendo obstaculizado, aqui se publicam em 1ª mão. Glosam, entre outras, a situação já crónica da falta do médico do SNS à quarta-feira e a expectativa de que a Santa Casa contrate um enfermeiro, ou enfermeira. 

 

Com a saúde em fanico,

Já é do quotidiano,

É quarta-feira de médico.

Médico? Talvez pró ano.

 

A esperança tornou

Quando a médica surgiu.

Mas, grávida, já se baldou.

Nunca mais ninguém a viu.

 

Já faz parte cá das sinas

Este fado, este penar.

Gripes, maleitas, anginas,

Qual doutor para as curar?!

 

Vale-nos a Casa Santa,

Não perde tempo a cismar.

(Quem canta seus males espanta)

Um “brazuca” a receitar.

 

Já agora, oh Provedor:

Lá no Centro, à quinta-feira,

Junte ao “Françuá” doutor

Experiente enfermeira.

 

E aceite a sugestão

(venial e respeitosa):

Enfermeira d’estalão

Boazona…bem gostosa.

 

 

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sábado, 21 Fevereiro , 2009, 13:36

Enquanto se ultimam os últimos retoques nos 12 carros alegóricos que amanhã percorrerão a Estrada de Vila Cova, em cortejo que terá maior incidência presencial e temporal nos sítios “frente à casa da música” e nas “tílias”, as noites de 20 e 21 são de encontro no “bar da música” em S. Sebastião.

Chamam-lhes noites de “baile à moda antiga”. Mas de bailes à moda antiga nada ou pouco têm. Os presentes limitam-se a conversar e a beber, sem excessos, é bom referir, mas baile nem vê-lo. Tocam alguns músicos, retratando o saudoso “concerto”, a aparelhagem sonora, nos intervalos, difunde “música ao jeito “pimba” e de resto passa-se a noite em tagarelice, de quando em quando ouvindo-se umas gargalhadas, sinal de que a boa disposição impera e, acima de tudo, o tempo que percorre a noite dá para uma agradável e saudável confraternização.

Óptimo, comentar-se à e se quisermos dar um acrescento, em aparato sociológico, podemos referir: está cumprida a função, a Sociedade Filarmónica Flor do Alva, organizadora do evento (conforme o termo que está na moda) adequa-se institucionalmente a uma das suas finalidades, que são a promoção da harmonia e do convívio. 

E assim, até o título deste lúdico acontecimento poderia ser outro. Por exemplo: “A pretexto de um "baile à moda antiga", uma noite de convívio.”  

 

Nuno Espinal

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Sexta-feira, 20 Fevereiro , 2009, 20:23

 

 

 

 

 


publicado por Miradouro de Vila Cova | Quinta-feira, 19 Fevereiro , 2009, 22:21

 

 

 

 

Em breve, mais fotos do Carnaval do Centro de Dia


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